2020 recordista em violações à liberdade de imprensa

32 é o número total de casos de violação às liberdades de imprensa e de expressão registados em Moçambique ao longo do ano de 2020, com Nampula e Cabo Delgado a liderarem o ranking. Trata-se de um recorde, de acordo como o MISA-Moçambique, que divulgou o relatório sobre o estado das liberdades de imprensa e de expressão em 2019 e 2020, muito à propósito do dia mundial da liberdade de imprensa que hoje (03 de Maio) se assinala.

No documento, como o título “perseguições, raptos, incêndios e processos judiciais contra jornalistas em Moçambique”, o MISA considera que o exercício das liberdades de expressão e de imprensa em Moçambique “tem sido hostil e turbulento” nos últimos dois anos, assinalando não só o aumento dos casos de violação, mas também a sua gravidade.

De acordo com o organismo que zela pela defesa das liberdades de imprensa e de expressão, a intensificação do conflito em Cabo Delgado, bem como no centro do país, gerou um “ambiente [que] torna perigoso o exercício de jornalismo, visto por militares como uma actividade inimiga”.

Foi no famoso Teatro Operacional Norte que o jornalista Ibrahimo Mbaruco, da rádio comunitária de Palma foi raptado. Também em Cabo Delgado, desta feita em 2019, assistiu-se as detenções ilegais dos jornalistas Amade Abubakar e Adriano Germano, com relatos de que o primeiro terá sido coagido por militares a fornecer senha do seu email.

O MISA assinala que as violações em Cabo Delgado são perpetradas quer pelos terroristas quer por elementos das Forças de Defesa e Segurança. Há registo de encerramento de quatro rádios comunitárias, nomeadamente Mocímboa da Praia, Macomia, Tomás Nduda e São Francisco de Assis, devido às acções terroristas.

Na zona sul do país, o destaque vai para o incêndio à redacção do jornal Canal de Moçambique, a 20 de Agosto de 2020, cujos autores ainda não foram encontrados.

“Estas violações graves contra as liberdades de imprensa crescem impunes perante o silêncio das autoridades nacionais que, em muitas ocasiões, são conotadas como sendo mandantes de alguns crimes contra os media”, descreve o relatório, que classifica Moçambique como um estado autoritário.

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