Quem será o próximo na Frelimo?

O debate sobre a sucessão já está em marcha no Partido Frelimo. Um debate corre fora dos mecanismos formais, pois a luz dos estatutos do partido o apito ainda não soou.
O actual Presidente do Partido, Filipe Nyusi, ainda não deu indicações de pretender forçar um terceiro mandato. Aliás, tal pretensão passa por ter o controle da Comissão Política e o Comité Central a sair do XII Congresso marcado para 23 a 28 de setembro do próximo ano. É esta Comissão Política e Comité Central que vai decidir sobre o próximo candidato da Frelimo para as eleições presidenciais de 2024. Caso Nyusi decida seguir em frente, primeiro terá que convence-los a rever a Constituição da República em 2023 e acautelar um terceiro mandato. Ao acontecer, não será algo novo em África. É uma nova moda que vai ganhando forma. No Egipto, na Somália, Costa do Marfim, Ruanda, entre outros países a fórmula foi implementada mas gerou ondas de contestações. Na verdade, esta é uma prática estranha para a democracia, mas que vem se tornando realidade.
Um terceiro mandato para Nyusi com certeza não será uma batalha fácil de vencer tendo em conta que na Frelimo a fila é longa e há gente, já impaciente, a espera a quase 10 anos. Para além das alas que já tem nomes e ja vão se movimentando nos bastidores, esperando a hora certa para se manifestar publicamente.
A Sala da Paz vai acompanhando, nos corredores, nomes e mais nomes. Alguns com equipas de apoio já constituidas e outros ainda sem saber de onde começar, mas todos ávidos por se tornarem candidato da Frelimo em 2024.
O processo de sucessão na Frelimo sempre gerou tensão e causou rupturas entre os grupos. Rupturas estas que nunca terminaram em cisão e surgimento de um novo movimento. Samora Machel Júnior por pouco concorria ao Município de Maputo suportado por um grupo de cidadãos que hoje se formalizou como partido político. Ainda não se sabe o preço que o mesmo terá de pagar por tamanha ousadia. No Comité Central não houve tempo para se discutir o “caso Samito”. Seriam necessárias pelo menos duas horas, e num CC bastante condicionado não se podia despender estas duas horas para tratar de um assunto considerado adiável para uma melhor oportunidade.
O Presidente Nyusi avisou na recente reunião do Comité Central que as próximas eleições serão realizadas em contexto diferente. Que contexto? O do novo candidato? E quem será? José Pacheco? Luisa Diogo? Samora Machel Junior? Aires Ali? Edson Macuacua? Basílio Monteiro? Jaime Neto? Celso Correia? Ou será um candidato surpresa? O tempo dirá. (Sala da Paz)

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