A FRELIMO e as suas Marhandzas

AS ASPAS DO EDITOR

Por: Reginaldo Tchambule

“É nosso” ou “não é nosso”, é assim como o “bajulotrómetro” mede a qualidade dos moçambicanos, nos dias que correm. Geralmente, “os nossos” são os “sim senhor”, os “yes man”, aqueles que não questionam nada, aqueles que têm uma língua bem afiada, pronta para lamber as botas dos dirigentes, mas há aqueles que o são por mero mercenarismo. Sempre que um indivíduo é estampado com a identificação “não é nosso”, significa que esse ou é de um partido da oposição ou é simplesmente alguém que é dono de suas próprias ideias.

Basta ser crítico, questionar ou mostrar desacordo com algo para ser imediatamente submetido a um júri ilegal, composto por gente que chama para si o título de mais “patriotas” que os outros, o qual se encarrega de distribuir a matrícula “não é nosso” e por via disso passar a ser carne para abutres.

Ciente ou não, esta forma de estar é alimentada pelo próprio partido Frelimo, uma organização que nos últimos tempos tem sido habitat preferencial de lambe-botas, lobistas e toda a corja de “corruptos”. Coloquei propositadamente as aspas na palavra CORRUPTOS, por razões que explico lá mais abaixo.

É que, para mim, um dirigente que promove o outro só porque faz comentários que o agradam não deixa de ser corrupto. É assim que se empurra o país para o abismo. Os principais responsáveis pela captura do Estado, a falta de justiça social, a degradação do nível de vida, pobreza e outros males que assolam o país são os escovinhas e bajuladores, alguns metidos a académicos, que não medem esforços para agradar seus líderes.

Essa corja de gente é de tal forma má que mesmo ciente de que ninguém é perfeito, prefere acolitar más decisões dos seus líderes, algumas das quais com potencial para afectar a vida de todos os moçambicanos, só e simplesmente para alimentar o ego destes e por essa via garantirem o seu bem-estar.

Esses são os verdadeiros apóstolos da desgraça, os mesmos que levaram o “filho mais querido da nação”, o nosso visionário e o seu governo a irem contrair dívidas, na calada da noite, enquanto todos dormíamos, e, como resultado, o país que era exemplo de crescimento, no continente e no mundo, regrediu, e o povo até hoje paga a factura dessa indisciplina financeira.

Não há dúvidas de que quem está a empurrar o país para o abismo são os escovinhas e bajuladores, aquartelados na Frelimo, que não medem esforços para agradar seus líderes. São de tal forma desprovidos de moral, que seriam capazes de aceitar uma sodomia com um dirigente só para garantir o seu bem-estar. Aliás, é o que se vê hoje em dia. Há alguns que prostituem-se intelectualmente por alguns cifrões.

São esses que assessoram mal os dirigentes, levam-nos a entrarem no mato. Preferem mandar passear sonhos e o bem-estar de 29 milhões de moçambicanos, simplesmente porque não têm coragem de ferir o ego dos seus bajulandos. Têm medo de dizer: “NÃO ,Senhor, …, estamos a ir para o mato”.

Alguns desta estirpe, para mostrar serviço ou que bajulam mais que os outros, tomam algumas iniciativas, que, em vez de beneficiar o “escovado”, só o expõem à crítica.

Foi o que se viu na semana finda, na reunião entre o Chefe do Estado e os professores da província de Maputo. Não se sabe por que cargas d’água alguém decidiu mostrar serviço, justamente naquele momento nobre, e raro para o Estadista, obrigando aquele grupo de profissionais a colocarem a imagem do candidato da Frelimo nos bolsos das batas. Certamente, não foi iniciativa do PR. Alguém deve ter achado que puxava melhor o saco violando os direitos daqueles funcionários públicos, que a Constituição da República lhes assiste o direito de escolherem com quem querem simpatizar.

Quem urdiu aquela ideia, talvez, não parou para pensar que naquele grupo de funcionários há quem simpatiza com o candidato de um outro partido. Não lhe veio à mente que está a dar azo para que se cristalize a ideia de que o país está capturado por um partido-Estado.

Ainda na mesma semana, um conhecido TUDÓLOGO cá da praça e seus lacaios, que nos acostumaram a prestar serviços de branqueamento de imagem da Frelimo e seus dirigentes na praça pública, deram indícios bastantes que levam a acreditar que, afinal, aquele partido pode estar mesmo ligado aos números de Gaza.

Aos montões pelos canais que lhes são habituais, abriram uma frente de combate para tentar desacreditar o Instituto Nacional de Estatística (INE). A sua fútil tese acabou sendo o cavalo de batalha dos grupos que se identificam como sendo da Frelimo, nos grandes debates e nas redes sociais.

Com as evidências a apontarem para várias irregularidades, incluindo o recenseamento de menores, segundo atestam algumas fotos de BIs e cartões de eleitores partilhados, era de se esperar que todos os moçambicanos, sobretudo os autoproclamados patriotas deste país, estivessem preocupados com a verdade eleitoral que escandalosamente foi posta em causa pela CNE e pelo STAE, no caso de Gaza, mas não.

Os grupos de choque ligados à Frelimo trataram de demarcar o seu espaço do resto dos moçambicanos. Preferem ver escamoteada a verdade eleitoral,  ver abalada a parceria que têm com os órgãos eleitorais, razão pela qual estranhamente são os únicos que estão do lado da CNE e do STAE. São os únicos que fecharam os dois olhos para não ver as evidências. São os únicos que jubilaram com o acórdão do Conselho Constitucional.

Isso abre espaço para questionar as razões dessa estranha ligação. Afinal, é inconcebível para qualquer mente sã que o grupo de choque de um partido se transforme num grupo de choque da coligação CNE/STAE. É o mesmo que no meio de um jogo de futebol a claque de uma das equipas decida torcer pelos árbitros. É estranho.

Essa estirpe de gente é que devia ser combatida com todas as forças. São os verdadeiros inimigos deste país e o principal cancro da própria Frelimo. No lugar de incentivar a perversão, a Frelimo devia desmamar esses sangue-sugas e procurar formas claras de aproximação com o povo. Devia estimular a competência e a meritocracia para se chegar a certos cargos, do que alimentar esses vermes que vivem do sangue do povo.

Alguns podem achar demasiado usar o termo vermes para referir-me a essa gente, mas é assim como agem. Apegam-se a um dirigente, bajulam e sugam até a última gota e quando já não lhes for útil, pulam para outro corpo com mais vida. Conheço gente que no consulado de Armando Guebuza estava na primeira linha do culambismo e hossanização da figura do “filho mais querido da nação”, mas bastou perder o poder e ver seu nome envolvido num dos maiores escândalos financeiros do país, para o isolarem e direccionarem as suas línguas, quais afiadas, para o actual Presidente da República, Filipe Nyusi.

Com efeito, está lá, hoje, rodeado dos “yes sir”, lambe-botas e puxa sacos que parecem cães de guarda prontos para atacar qualquer um que ousa ter uma ideia contrária. São capazes de se outorgarem o direito de ser mais patriotas que outros, alicerçados em pressuposto de uma propaganda já obsoleta.

Dizem ser patriotas, mas na verdade são os inimigos da própria Frelimo e do povo. São os viveiros da corrupção que grassa neste país. Aliás, tem sido recorrente ouvir o Chefe do Estado e outros quadros seniores da Frelimo falarem de combate à corrupção, mas esse discurso continuará vazio enquanto não olharem para dentro, onde mora a génese da corrupção.

É que pode não parecer, mas é corrupção quando um dirigente nomeia outro não pela meritocracia, mas sim pela afinação da língua ou qualidade da saliva com que lambe as botas do seu chefe. Não deixa de ser corrupção, quando um indivíduo gasta tempo e dinheiro para agradar o seu chefe, com os olhos postos numa gratificação.

É corrupção quando nas eleições internas do partido, a vários níveis, rolam cheques e dinheiro vivo para a compra de consciências. Em resultado disso, quando um bom pagador ascende ao cargo que comprou delapida o erário público para poder multiplicar a sua capacidade de oferta, de olhos postos num outro cargo.

O que se pode esperar de um governante que chega a um cargo de forma corrupta? Obviamente, perpetuação e sofisticação da prática, e, como resultado, temos instituições letárgicas, moribundas, que não funcionam, e quem paga é o povo. Pior do que isso é termos empresas públicas falidas, depois de transformadas em vacas leiteiras e sacos azuis.

Urge combater os lambe-botas, os bajuladores e os assessores de estômago, pois esses são os verdadeiros inimigos do povo, inimigos do desenvolvimento do país, apóstolos da desgraça e inimigos da própria Frelimo, porque são esses que dão relatórios falsos e fazem o Presidente da República ser alérgico a críticas.

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