Alertam analistas: Dados de Gaza têm potencial para trazer conflito pós-eleitoral

·         “Se a CNE está confiante nos seus dados, que aceite uma auditoria independente” – analistas

·         “Qualquer problema do recenseamento deve ser dirigido à CNE, não ao público” – CNE

Os dados do último recenseamento eleitoral, sobretudo em Gaza, continuam a gerar debate na praça pública, tudo porque, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (INE), não correspondem ao número da população existente naquele ponto do país. Segundo o INE, existem apenas cerca de 830 mil pessoas com idade eleitoral naquela província, porém, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) recenseou cerca de 1 166 011 potenciais eleitores. Analistas chamam atenção para provável conflito pós-eleitoral, caso a CNE não assuma e resolva o problema que chamam de viciação de dados.

Texto: Lídia Cossa

Dércio Alfazema, coordenador  de programas do Instituto Pela Democracia Multipartidária (IMD), entende que, caso não se resolva o problema do recenseamento em Gaza, que registou 350 mil eleitores acima da tendência normal, poderá resultar em algum conflito.

“É importante que se criem condições necessárias para se resolver o problema, sob o risco de isso criar agitação, um ambiente de tensão e acabar gerando uma situação de conflitos”, disse.

Enquanto não se esclarecer, a situação de Gaza, segundo Alfazema, vai continuar sendo “um pendente” até depois das eleições, e os partidos políticos podem usar essa situação para questionar os resultados das eleições.

“O ideal seria a realização de uma auditoria, porque a questão de Gaza já não é uma questão da CNE nem do STAE ou mesmo da sociedade civil, é uma questão do país. O nosso interesse é que isso seja esclarecido, então, uma auditoria seria a melhor opção para a própria democracia”, terminou.


“Se a CNE está confiante nos seus dados, que aceite uma auditoria independente”

O analista político Alberto Manhique também é da opinião que caso não se resolva o problema do recenseamento eleitoral em Gaza, haverá problemas graves, após as eleições.

Manhique explicou que todos os conflitos esporádicos que existiram no país e que ceifaram a vida de várias pessoas inocentes derivaram dos vícios no recenseamento eleitoral.

No que diz respeito à entrega das armas para posterior assinatura do acordo de paz, o nosso entrevistado disse que não acredita que isso venha a acontecer.

“Não acredito que a Renamo vai entregar as armas, assim como nunca acreditei no passado que tinha entregado todas as armas. Se repararmos, vamos descobrir que todo o país tem homens da Renamo armados até aos dentes, a Renamo nunca vai entregar todas as armas”, disse.

O analista disse ainda que o processo de DDR não servirá para recolher todas as armas que estão com a Renamo, porque não se tem nenhuma ideia de quantas armas aquele partido detém.

“A Renamo está agora dividida, temos uma parte que está sob liderança de Ossufo, mas temos outra que está fora do seu controlo. Qual das partes será reintegrada? Isso é uma falácia. Devia se trabalhar a fundo e não se enganar o povo moçambicano dizendo que há DDR para o fim da guerra em Moçambique, isso é uma falácia”, reiterou.

Para Manhique, sem dúvidas, a CNE fez essa adulteração dos resultados do recenseamento para beneficiar alguma força política, porque esse processo interessa aos partidos políticos e não a eles como órgão de administração eleitoral.

“Estando a CNE a falar a verdade sobre os dados do recenseamento em Gaza, por que não abre as portas para uma auditoria independente? Ela nega a auditoria, então, se os resultados são fiáveis, tal como teima em afirmar, que dê a prova disso”, acrescentou.

 “É preciso que a CNE entenda que não é o actor principal, ela é apenas o garante do processo, mas não é o actor, os actores são os candidatos políticos, são eles os interessados. E mais, esses problemas não são só de Gaza, se quisermos olhar com lupa, vamos encontrar vários outros sítios com esses problemas, tudo isto nos leva a crer que o consórcio STAE-CNE foi criando números em cada província, para favorecer a alguém, não me perguntem quem, mas o povo está atento”, concluiu.

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