APESAR DA LENTA ROTAÇÃO DO “STOCK” E REDUÇÃO DAS VENDAS: IMOPETRO descarta redução de preço de combustível no mercado nacional

 

A venda de combustíveis no país baixou e o “stock” de rotação é lento devido aos problemas criados pela pandemia da Covid-19, que faz com que os navios demorem descarregar o produto nos portos, porque os reservatórios do anterior combustível ainda não foram esvaziados. Entretanto, apesar da redução da procura, não há, neste momento, nenhuma previsão da redução do preço do combustível. A informação foi avançada há dias, ao Dossiers & Factos, pelo director-geral da IMOPETRO, João Francisco Macandja, que garante que não haverá falta do produto a nível nacional.

Texto: Arão Nualane

Em entrevista ao jornal Dossiers & Factos, o director da IMOPETRO, João Francisco Macandja, considerou que a situação crítica, provocada pelo coronavírus, afecta o mundo todo e o sector dos combustíveis não é uma excepção, e é, se calhar, dos mais afectados, na medida em que muitos países estão numa situação de lock down, que limita o movimento das pessoas e bens, o que se reflecte no consumo.

No entender de Macandja, o combustível está a ser consumido muito pouco no mundo e Moçambique não é uma excepção. Para o caso do país, a rotação do stock é muito lenta, pois as vendas estão a baixar e os tanques praticamente cheios.

Na visão do nosso interlocutor, a situação afecta o lado da importação, pois não havendo espaço para descarregar, porque o produto não está a sair, os navios incorrerem a custos adicionais, ligados a sua manutenção nos portos.

“Não é no sentido de haver falta de produto, mas no sentido inverso de haver muito mais produto e atrair os custos em estadia, porque os navios normalmente vêm numa altura em que ainda não conseguimos da vazão”, deu a conhecer a fonte, para de seguida afirmar que a importação acontece regularmente de um a um mês e o que está a acontecer neste momento é que “as embarcações chegam enquanto ainda não conseguimos abrir espaço suficiente para descarregarem”.

Para ilustrar a situação, Macandja revela que as importações de Março foram programadas em Fevereiro. “Quando se importa não é possível dizer que já não querem um navio que foi programado há dois meses. Esta é uma situação que não afecta apenas Moçambique. Na África do Sul, Tanzânia e Quénia temos navios parados, o que mostra que é uma situação global”, comparou Macandja, para defender a sua tese.

Refinarias produzem e ninguém compra

Informações avançadas por Macandja apontam que as refinarias, neste momento, também estão a enfrentar o mesmo problema, porque produziram e ninguém compra.

Entretanto, segundo garantiu, em Moçambique decorre neste momento de reajustamento do nível de procura no mercado, porque as importações foram preparadas numa situação em que não havia Covid-19, e quando chegou a situação da pandemia ainda havia produto que continua nos tanques devido a redução de vendas.

“Do lado das refinarias não se prevê nenhuma paragem, e uma das coisas que aconteceu é que até a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) teve que reduzir na produção, porque há muito combustível a circular”, fez saber a fonte, garantindo, no entanto, que o nosso país não terá ruptura de stock.

Contudo, para evitar o problema de excesso, as importações de Abril e Maio já começaram a ter em conta a baixa de procura. Por exemplo, normalmente, o país faz duas importações num mês, mas em Abril último fez-se apenas uma.

Este mês está também prevista apenas uma única importação e como reflexo do nível de procura esta encomenda é mais reduzida ainda. “Normalmente, exportamos cerca de duzentas mil toneladas e em Maio só vamos importar um pouco mais de 60 mil toneladas”, frisou.

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