Aproximação de terroristas leva Total a abandonar Afungi

Texto: Amad Canda

O ano não podia ter começado de forma pior em Afungi, no distrito de Palma, Cabo Delgado. Enquanto a maioria celebrava a chegada de 2021, a aldeia do Reassentamento, habitada por pessoas transferidas da área do DUAT concedido a Total, era palco de mais uma incursão dos terroristas, dois dias depois do ataque ao povoado Monjane. O ataque a aldeia do Reassentamento, que está a escassos 2km do acampamento da Total, fez soar os alarmes na empresa, que ainda no dia 1 deu início a evacuação dos trabalhadores.

Não há sossego nem em tempo de festas. Num espaço de apenas três dias, os terroristas protagonizaram dois ataques em aldeias próximas ao acampamento da petrolífera Total, na península de Afungi. O primeiro ataque aconteceu no dia 29 de Dezembro, no povoado Monjane, a 6km do acampamento. Já na noite de 01 de Janeiro, os terroristas foram mais ousados e escalaram o povoado do Reassentamento, a dois quilómetros do acampamento, numa acção que se prolongou até as primeiras horas do dia 02 de janeiro.

Não há dados precisos em termos de número de mortes quer do lado dos terroristas quer do lado das FDS, mas nossas fontes dentro do acampamento confirmam a morte de pelo menos um funcionário de uma empresa subcontratada pela Total.

Infiltrados na aldeia

Há indicações de que os terroristas chegaram há alguns dias a aldeia do Reassentamento, onde arrendaram uma residência, fazendo-se passar por trabalhadores do projecto liderado pela Total. Dois deles foram capturados e o dono da casa detido, mas nada disso impediu que atacassem a aldeia Monjane, com as Forças de Defesa e Segurança a responderem prontamente.

Apesar de terem registado uma baixa e dois feridos (um deles por picada de cobra), as tropas nacionais conseguiram repelir os terroristas. Sucede que estes continuaram nas proximidades, reorganizaram-se e voltaram a carga logo no primeiro dia do ano, gerando um clima de terror no povoado e no acampamento, do qual nunca tinham estado tão próximos.

Pânico no acampamento

O clima que se vive no acampamento da Total é de grande tensão. A esta altura, os trabalhadores estão inseguros e temem que os insurgentes invadam as instalações. Relatos que nos chegam do acampamento indicam que ninguém dormiu entre os dias 01 e 02 de Janeiro, tal era o nível do medo. De resto, a própria direcção da empresa acredita que não é mais seguro continuar lá, daí ter iniciado a evacuação imediata dos trabalhadores.

Ao que apurámos, a evacuação é feita por via de três aviões, o maior dos quais com 75 lugares. Trata-se de uma operação que acarreta custos elevados, até porque, por causa do protocolo sanitário imposto pela covid-19, os trabalhadores evacuados não vão directamente para as suas casas, mas ficam hospedados em hotéis.

Tensos e inseguros, os mais de três mil trabalhadores (na sua maioria provenientes de outras províncias) só pensam em abandonar Afungi. A esta altura, até já se ganhou um novo hábito. “Eles sempre mandam a lista, e cada vez que mandam eu sempre procuro o meu nome”, conta um dos funcionários.

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