Assinado o terceiro acordo de paz: Será desta vez definitivo?


·        “Actual acordo de paz é um copy & paste” – Analista político

 

O terceiro acordo de paz, assinado na passada terça-feira, entre o Governo e a Renamo, que marca o fim da instabilidade política e militar no país, que se registou entre 2014 e 2016, por causa da contestação dos resultados eleitorais, traz à superfície posicionamentos diferentes. Um deles é do analista político Alberto Manhique, que afirma que o mesmo não se difere do assinado em 1992.

Texto: Lídia Cossa

O acordo foi assinado em Maputo, quatro dias depois da assinatura da cessação de hostilidades, a 1 de Agosto, na serra da Gorongosa, entre o Presidente da República, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Ossufo Momade. No momento, os signatários prometeram nunca mais pegar em armas e optar sempre pelo diálogo para resolver qualquer que seja a diferença entre eles.

Na ocasião, o Presidente da República vincou que “nunca mais Moçambique voltará a ser palco de morte, nunca os resultados eleitorais serão motivo de guerra no país”, acrescentando que, “com este acordo, não estamos a dizer que não poderemos entrar em desacordo, mas sempre optaremos pelo diálogo”, salientou Nyusi.

 

 

O analista político Alberto Manhique disse haver necessidade de lembrar ao Presidente da República (PR) que está a recolher as armas de uma parte da Renamo, e que outra parte continuará armada.

Manhique quer perceber o que fazer com esses cidadãos que estão a ser excluídos deste processo, uma vez que as pessoas não vão dormir tranquilas, aventando-se a hipótese de o conflito armado poder voltar, sucedendo-se o que aconteceu com o acordo de 1992, em Roma, capital da Itália.

Na visão de Alberto Manhique, o actual acordo teria tudo para dar certo se o líder da Renamo, Ossufo Momade, não fizesse de contas que não conhece os seus membros que estão revoltados e optasse pelo diálogo.

“Ossufo Momade conseguiu dialogar com o Presidente da República sobre o acordo de paz, o que custa sentar com os seus membros e conversar? Fazer de contas que não lhes vê ou que não lhes ouve não vai resolver o problema. Ossufo deve começar a ser um presidente com visão ampla, com capacidade de resolver as divergências de opinião, porque não é proibido pensar diferente, mas tudo se pode resolver com base no diálogo”, sublinhou.

“Reconciliação é o caminho acertado”

Manhique comentou à nossa Reportagem que a reconciliação entre os moçambicanos é o caminho mais acertado para que este acordo seja definitivo.

Quanto à Lei de Amnistia, aprovada a 29 de Julho pela Assembleia da República, por consenso das partes, Manhique entende que seja um mal necessário para o país.

“A Lei da Amnistia é bem-vinda para o povo moçambicano, porque irá permitir que todos os cidadãos vivam e convivam, mesmo com aqueles que mataram, injuriaram ou tiraram bens. Contudo, a responsabilização deve continuar.

O Estado deve abrir uma outra página para não se reconciliar com uns e continuar ferindo outros, porque há pessoas que estão à espera de serem ressarcidas os seus bens, mas que até hoje nada foi feito. Então, não se pode resolver um problema trazendo outro”, terminou.

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