Ataques: Cruz Vermelha diz que violência piora consequências dos ciclones

 

O Comité Internacional da Cruz Vermelha alertou ontem que a violência no norte do país torna a recuperação das pessoas afetadas ainda mais difícil e que a dimensão do impacto dos ciclones ainda é desconhecida.

“A violência armada na província de Cabo Delgado está a forçar muitas pessoas a sair das suas casas, destruindo aldeias e centros de saúde, e tornando mais difícil a recuperação do ciclone Kenneth”, alertou o Comité Internacional da Cruz Vermelha.

De acordo com um comunicado divulgado ontem por esta agência humanitária, “os ataques são recorrentes desde 2017 e isso obriga a que muitas pessoas tenham de sair das suas casa e deixar as colheitas e a maior parte dos seus bens para trás”.

Nos últimos dois anos, acrescenta-se, “centenas de pessoas foram feridas e mortas, as casas queimadas, e os pertences roubados, com o acesso seguro às comunidades afetadas a ser um desafio para as organizações humanitárias”, disse a diretora regional para África do Comité, Patrícia Danzi.

“Isso torna a escala real das necessidades difícil de determinar”, apontou a responsável, vincando que a segurança das pessoas é a principais prioridades.

“A comunidade de ajuda humanitária tem dificuldades em aceder a todas as áreas da província, porque a violência armada impede-nos e a outros de ir a qualquer lado, a qualquer altura; cada vez que queremos movimentar-nos temos de garantir que vamos e vimos em segurança e se não temos essas garantias, não podemos ir”, lamentou Patricia Danzi.

“O mesmo vale para as pessoas: se não se sentem seguras em chegar a sítios onde podem aceder a serviços básicos, eles não vão, por isso a verdadeira dimensão das pessoas afetadas é ainda desconhecida”, disse.

Outro dos problemas identificados é a capacidade das pessoas alimentarem as suas famílias, o que as faz apostar na produção de carvão vegetal, algo que “pode ter consequências ambientais de longo prazo, porque tem medo de ser atacadas se regressarem aos sítios das suas colheitas”, concluiu.

O Comité começou a trabalhar em Cabo Delgado em 2018 e tem colaborado desde então com a Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, bem como a Cruz Vermelha de Moçambique para dar sementes, instrumentos agrícolas e outros bens de primeira necessidade às famílias afetadas pelo ciclone Kenneth, tendo reconstruído a maternidade na cidade de Macomia e reabilitou o sistema de água local.

O ciclone Kenneth, que se abateu sobre o norte do país, em abril, matou 45 pessoas e afetou 250 mil, enquanto o ciclone Kenneth, que atingiu o país semanas antes, fez mais de 600 mortos e teve impacto em 1,5 milhões de pessoas. LUSA

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