Até ao final do ano, 63 mil trabalhadores poderão ter os contratos suspensos

 

O nível de actividade empresarial, no país, reduziu em cerca de 65 por cento, nos primeiros seis meses deste ano, e estima-se que o volume de perdas de facturação do sector empresarial moçambicano, em todo o ano de 2020, poderá ascender a aproximadamente 951 milhões de dólares norte-americanos, o correspondente a cerca de 7% do PIB. Essas projecções são da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), que traça ainda um cenário sombrio em relação à situação laboral no país.

Texto: Hélio de Carlos

Numa altura em que todas as análises sobre a conjuntura macro e micro económica do país apontam para um abrandamento significativo, devido aos impactos da Covid-19, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), que tem estado a acompanhar com bastante atenção a evolução da pandemia desde a sua eclosão, bem como os seus impactos no tecido empresarial nacional e na economia moçambicana, de forma geral, mostra-se preocupada com a situação.

Volvidos cerca de quatro meses após a publicação do primeiro estudo, a CTA decidiu actualizar os dados, tendo em conta a evolução da situação da Covid-19 no país e no mundo, dando destaque a algumas variáveis, tais como o volume de negócios das empresas, o emprego e o crescimento económico de Moçambique. O estudo actualizado discute igualmente o impacto das medidas adoptadas pelo Governo, no âmbito do apoio ao sector empresarial, e apresenta propostas de medidas correctivas.

De acordo com o vice-presidente da CTA, Álvaro Massinga, devido à redução do volume de receitas, que afectou o fluxo de caixa das empresas e a sua capacidade de suportar os custos de produção, apenas no primeiro semestre do ano, várias empresas optaram pela suspensão de contratos de trabalho.

De acordo com os dados apurados pela CTA, até ao final do primeiro semestre do ano, cerca de 30 mil contratos de trabalho haviam sido suspensos e, neste ritmo de evolução, estima-se que até ao final do ano este número aumente para 63 mil, o correspondente a aproximadamente 11% da massa laboral empregada no sector privado.

‘‘O contínuo crescimento do número de empregos suspensos irá dever-se, essencialmente, às perspectivas sectoriais que irão caracterizar o segundo semestre do ano. Em termos sectoriais, a hotelaria e turismo regista o maior número de postos de empregos suspensos, cerca de 40% do total, e espera-se que neste sector o número de empregos suspensos continue a aumentar’’, esclareceu Massinga.

Perdas de facturação na ordem dos 31 mil milhões de meticais

Relativamente ao impacto da Covid-19 no volume de negócios, a CTA considera que o nível de actividade empresarial reduziu em cerca de 65% no primeiro semestre de 2020, o que culminou com a redução do “Índice de Robustez Empresarial” em cerca de 49%, de 0,51, em Janeiro, para 0,26, em Junho.

O sector da hotelaria e turismo figura como o mais afectado, tendo registado uma retracção do nível de actividade em mais de 75%. Devido a estes impactos, no primeiro semestre do ano, o sector empresarial, como um todo, registou perdas de facturação estimadas em cerca de 31 mil milhões de meticais, o correspondente a 453 milhões de dólares.

Considerando a evolução da pandemia e a dinâmica económica que se projecta para a segunda metade do ano, estima-se que o volume de perdas de facturação do sector empresarial moçambicano, em todo o ano de 2020, poderá ascender a aproximadamente USD 951 milhões, o correspondente a cerca de 7% do PIB.

No entanto, espera-se uma tímida recuperação da actividade empresarial no segundo semestre, devido à reabertura gradual de algumas economias e alívio de algumas restrições no quadro das medidas do estado de emergência.

“Espera-se, ainda, uma recuperação gradual do Índice de Robustez Empresarial, podendo subir de 0.26, em Junho, para 0.34, em Dezembro. Entretanto, importa ressalvar que esta recuperação estará fortemente dependente da evolução da pandemia na África do Sul, que é o principal parceiro comercial do país; bem como do contínuo alívio das restrições da actividade empresarial, no âmbito das medidas de prevenção”, disse o vice-presidente.

“Devido ao quadro adverso gerado pelos efeitos da Covid-19, o crescimento da economia moçambicana em 2020 poderá registar um abrandamento face ao ano anterior, 2019, em que a economia cresceu em 2,2%”, destaca.

Tendo em conta que o comércio entre Moçambique a África do Sul representa cerca de 30% do volume de comércio internacional de Moçambique, o nível de restrições que o governo sul-africano irá impor no segundo semestre poderá ditar o ritmo de recuperação da economia moçambicana na segunda metade do ano.

De acordo com o vice-presidente, apesar das boas intenções relacionadas com a implementação das medidas para combater o vírus, verifica-se que, em grande parte, as mesmas não geraram o impacto que se esperava no sector empresarial. 

 

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