Autarquia de Quelimane exibe primeiros sinais da abordagem sobre inclusão

Por: NkassanaWaka-Tembe

– Depois da mana Márcia na AR, Eufémia Amala no MGCAS, é a vez da Autarquia de Quelimane.

– Vamos seguir o exemplo deste Edil … ser diferente é ser normal, e a inclusão começa contigo!

As pessoas são diferentes sim, mas elas têm o mesmo direito. Uma sociedade que respeita os pergaminhos da diversidade torna-se, a todo custo, justa, coerente e valorizadora da vida humana. As pessoas com deficiência têm sido alvo de inúmeras limitações de participação social e política. Elas não podem exercer, da mesma forma, direitos consagrados na constituição da república, sendo, esta, a principal barreira.

Nas campanhas eleitorais, e com enfoque para as recentes eleições, muitos dos partidos, e pela primeira vez, se não me engano, embandeiraram-se na promoção do adjectivo inclusão em suas campanhas. Era fácil ouvir inclusão aqui e acolá, o que, de alguma forma, acabou sendo estranho para alguns actores que pregoam no seu dia-a-dia este desiderato. Na poeira da campanha, uma jovem deputada, e com deficiência física, entrou pela porta grande da Assembleia da República e certamente será, ela, uma mais-valia na apreciação, aprovação das leis que favoreçam o ambiente de participação social e político, livre de qualquer forma de discriminação ou estigma.

As vozes e formas de promoção deste fenómeno raro nas nossas acções davam sinais de termos um figurino, talvez, diferente do habitual. Para nós, inclusão seria nada menos que reparar para as diferenças como algo que nos une, e não o contrário. Esperávamos que, na construção do novo aparelho que é responsável pela gestão diária da vida dos moçambicanos, tivéssemos, no meio destes gestores, pessoas e quadros de diferentes tamanhos e formas. Queríamos lá ver pessoas “gordas, altas, baixinhas”, queríamos lá ver, ainda, pessoas da cidade, do campo, do centro, norte, sul e sei lá, outras definições da mãe rosa-dos-ventos.

Inclusão para nós, e na lição para os políticos, é, mesmo, reparar para o cidadão como elemento válido na construção do país, oferecendo espaço para que este opine e dê seu contributo sem nenhum condicionalismo. As pessoas com deficiência já são diferentes de tantas outras, se por aí considerarmos o facto de estas apresentarem alguma limitação notável na sua forma de ser e de estar.

No olho do mundo, quem precisa de um dispositivo de auxílio para se locomover, ou seja, quem precisa de ter muletas, cadeira de rodas ou canadianas, na condição de mobilidade, claramente, esta pessoa é diferente de outras. Quem precisa de uma bengala branca, precisa de óculos auxiliares de vista ou ainda um aparelho auditivo, um auxiliar como intérprete de língua de sinais, uma pauta de braille, claro, este indivíduo será considerado de uma pessoa com restrições, o que não é de negar. Negamos, sim, que se use características individuais das pessoas com deficiência para se impor o que é ou não deve ser de direito. As diferenças estão, talvez, impossíveis de revertê-las, mas comportamento e atitudes discriminatórios, esses, sim, são alvos de qualquer luta de promoção e divulgação dos direitos deste grupo social.

São estas características/atitudes que dominam o nosso ego, baseamo-nos nisto para definir quem é quem, e como podemos contar com o potencial que advém, o que plenamente discordo. As pessoas com deficiência, mesmo com estas ou aquelas características, também são seres pensantes, elas têm vontade própria, o que inclui suas escolhas (do bom e do mal), elas têm sentimentos, amam e são parte de qualquer tipo de necessidades que os outros têm.

Esta lição é bem trazida das bandas de Quelimane, que ao nomear, no presente mandato, um director para área de saúde, que apresenta características não habituais no olho de muitos de nós, vem, isto, mostrar a fórmula sobre o conceito inclusão. O edil foi contra a regra básica de exclusão. Ele, no meu ponto de vista, ao nomear esta figura, passou a merecer, de mim, maior respeito e admiração, ele não se importou em reparar para composição física do director, mas sim pelo potencial que tem tanto quão técnico.

Manuel de Araújo deu uma grandiosa lição, ao mostrar ao mundo que podemos participar, e duma forma activa, no exercício de remoção de barreiras atitudinais, barreiras estas responsáveis pelo fardo elevado de discriminação, exclusão e marginalização de pessoas com capacidade de fazer as coisas acontecer.

Bem-vindo senhor director da saúde neste seu novo desafio. O edil, ao dispor-lhe esta pasta, estará seguro da boa e qualitativa contribuição, que você e sua equipe darão para responder aos problemas de saúde que afectam os munícipes de Quelimane.

Coloque no seu desafio, senhor director, a necessidade de remoção das barreiras físicas e arquitectónicas nos centros de saúde da urbe, mobilizando parcerias técnicas e financeiras para uma acção mais robusta de auditoria de acessibilidade nas unidades hospitalares. Esta auditoria poderá ser seu escudo de negociação de qualquer tipo de intervenção na remoção de barreiras físicas e arquitectónicas à luz do decreto 53/2008.

No seu mandato, meus parabéns virão ao observar que, pelo menos, 50% das suas unidades hospitalares são acessíveis à todas as pessoas. São acessíveis às pessoas idosas, mulheres grávidas, crianças, às pessoas com deficiência física, auditiva, visual e intelectual. Isto não é uma utopia, e querendo, podemos transformar este sonho em realidade.

Bem-haja o edil e munícipe de Quelimane.

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