Cancro de Mama em Moçambique

Doentes procuram hospital já com pouca possibilidade de cura

Presente até nas mulheres mais jovens, o cancro da mama constitui o segundo mais frequente em Moçambique. Em termos epidemiológicos, contabilizam-se vinte e dois mil casos de cancro no país, sendo que dez por cento corresponde ao cancro da mama. Maior preocupação ainda é o facto de que os doentes oncológicos só se dirigem ao Hospital em estado avançado e com pouca possibilidade de cura.

Texto: Lídia Cossa

Segundo a médica patologista e chefe do Programa de Controlo do Cancro no Ministério da Saúde (MISAU), Cesaltina Lorenzonio, o cancro da mama, ao contrário de outros tipos de cancro, é de difícil prevenção.

Em lugar de falar de prevenção, fala-se mais do diagnóstico precoce deste cancro. “Porque existem medidas como o auto-exame. Recomenda-se que as mulheres façam o auto-exame todos os meses entre o primeiro e quinto dia depois do período menstrual; apalpar a mama em diferentes posições.”

A médica acrescentou ainda que: “para além de apalpar a mama, apalpa-se também a região da axila, porque é a zona onde existe o risco de o cancro disseminar-se.”

Lançou-se, em Outubro, na Matola, província de Maputo, o “Outubro Rosa”, uma campanha de sensibilização e rastreio do cancro da mama, tido como o segundo tipo de cancro mais comum nas mulheres moçambicanas.

Foi lançada oficialmente, no dia 12 de Outubro, e foi presidida pela Esposa do Presidente da República, Isaura Nyusi.

Anualmente, Moçambique regista vinte mil novos casos de diferentes tipos de cancro, que têm como consequência dezassete mil mortes, sendo salvas apenas três mil pessoas.

A campanha tem  como objectivo principal a sensibilização e conscientização das mulheres e da sociedade em geral sobre a importância do combate ao cancro da mama, com enfoque na chamada de atenção para a importância do diagnóstico precoce da doença, bem elevar a auto-estima das mulheres, que fica afectada após o diagnóstico positivo da doença; chamar atenção para os direitos da mulher, fazendo uma homenagem às grandes e únicas mulheres que nasceram neste mês e as mulheres moçambicanas no geral.

Para a chefe do Programa de Controlo de Cancro no MISAU, com as campanhas, as mulheres elevam a auto-estima e perdem a vergonha ao serem diagnosticadas a doença e fazem o devido tratamento, e ao mesmo tempo ajudam na sensibilização de outras mulheres.

Com pouco mais de 900 pessoas que aderiram ao lançamento da campanha, houve oportunidade de ouvir testemunhos de algumas mulheres que superaram a doença e outras que ainda estão em tratamento.

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