Cancro do colo do útero é um dos mais mortíferos no país


·         Quando diagnosticado precocemente, pode alcançar a cura –  Especialista

 

Moçambique é o segundo país no mundo com maiores casos de cancro do colo do útero (CCU). Segundo dados publicados pelo MISAU este ano, cerca de 25.000 casos daquela doença foram detectados ao longo dos últimos cinco anos, contra 23.000 dos registados no levantamento efectuado em igual período e que foram publicados em 2013. As autoridades da Saúde que lidam com esta matéria apontam que a falta de informação sobre o impacto e efeitos desta doença e a negligência por parte de algumas mulheres são alguns dos factores para a prevalência desse tumor.

Texto: Lídia Cossa

O cancro do colo do útero é um dos mais diagnosticados em todo o mundo e é a quarta principal causa de morte por cancro nas mulheres. Segundo especialistas, este tumor maligno ocorre na parte inferior do útero, e trata-se de uma enfermidade que é comum em pessoas com idades entre os 25 e 34 anos de idade.  

Dados do Ministério da Saúde indicam que no segundo semestre de 2018 foram internados cerca de 200 doentes sofrendo desta enfermidade, e desse número, 10% das vítimas não sobreviveram. No entanto, sabe-se que no país, através de programas levados a cabo pelo MISAU, desde o ano de 2015, Moçambique passou a ter o rastreio e manejo do cancro do colo do útero, e a taxa de cobertura em mulheres dos 30-35 anos subiu dos 5%, em 2015, para 15%, em 2019.

Com estes resultados, as autoridades sanitárias afirmam que o programa de rastreamento do colo do útero está associado ao registo do aumento dos números de cura desta doença. A maior preocupação das autoridades da Saúde reside no facto de os doentes dirigirem-se aos hospitais já em estado grave.      

 A médica ginecologista e obstetra no HCM Dércia Changule explica que “o exame de rotina deve ser repetido num espaço de cada cinco anos em mulheres sem factores de risco, e a cada três anos para aquelas com baixo risco, e anualmente para aquelas que representam alto risco. Aliás, a fonte acrescenta que, mesmo com estas indicações, ainda prevalece a falta de cultura em visitar um ginecologista”.

Dércia Changule fala ainda da forma como o cancro evolui no organismo humano, explicando que tem um crescimento lento, podendo levar mais de 10 anos a se implantar. Por isso, é possível alcançar a cura, principalmente quando diagnosticado de forma precoce.

A fonte fez saber ainda que o CCU é causado pela infecção persistente do Vírus Papiloma Humano (HPV), um mal ligado a relações sexuais desprotegidas ou ao início precoce da actividade sexual, múltiplos parceiros, tabagismo, HIV positivo; pelo que uma mulher que tenha sido infectada pelo HPV desenvolve uma lesão no colo do útero que pode levar até 10 a 20 anos para desenvolver o cancro do colo do útero.

       Sinais e sintomas do cancro do colo do útero

Segundo a mesma fonte, as lesões ou feridas iniciais no colo do útero provocadas pelo HPV são assintomáticas. “Quando a doença se agrava para cancro do colo do útero, normalmente, a mulher pode sentir ou ter sangramentos vaginais anormais, por exemplo, hemorragias entre as menstruações, hemorragia durante ou após relações sexuais e hemorragias após a menopausa, corrimento vaginal anormal, por vezes com mau cheiro e dor durante as relações sexuais”, sustentou.

Os sintomas do cancro do colo de útero em estado avançado incluem perda de apetite, emagrecimento, fadiga, dor pélvica, dor lombar, dores e inchaço nas pernas, sangramento vaginal de grande volume, fracturas e, mais raramente, perda de urina e fezes pela vagina.

Diagnóstico da doença

A fonte explica ainda que o cancro do colo do útero em estágio inicial pode ser rastreado nas consultas de rotina; e para detectar o CCU ou as lesões do HPV, os exames mais usados são o Visual do colo com Ácido Acético (VIA), que é um método simples, que consiste em impregnar o colo com uma solução de ácido acético, para localizar as lesões no útero, onde se usa também o Papanicolau, raspa-se células do colo uterino, examina-se, à procura de lesões, e mais adiante usam-se outros métodos mais avançados”, sustentou.

Prevenção do cancro uterino

O CCU é prevenível. A especialista explicou que vacinar as meninas  contra o HPV antes do início da actividade sexual, entre os 9 e 20 anos de idade, é uma das formas de prevenir, e a vacina reduz o risco de desenvolver o cancro uterino em 93%, e também protege contra o cancro da vagina, cancro da vulva, cancro rectal, cancro da faringe e cancro da boca, que também estão associados ao HPV.

Como se pode tratar o cancro do colo do útero?

O tratamento desta patologia geralmente é feito por via cirúrgica ou radioterapia e quimioterapia, dependendo do estado em que se encontra o doente e o tipo de tumor e da sua proveniência.

“Quando se submete um doente com cancro do colo do útero à cirurgia e não se retira todo o tecido tumoral, a tendência do cancro é de crescer, e assim será mais agressivo, por isso deve-se estudar o estágio e fazer bem a cirurgia,” explicou.

Mais adiante, explica que, por exemplo, a outra forma de curar este tipo de cancro é através do processo da quimioterapia, mas ressalva que este método tem ou pode vir a ter efeitos colaterais, como a perda do cabelo, e podem aparecer algumas mudanças na pele”, terminou.

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