Célia Truzão assume posição de destaque no open de Botswana

Na edição 286 do Dossiers & Factos, contámos uma história dramática do desporto nacional, neste caso, o drama da atleta de Taekwondo Célia Truzão, que se encontrava em campanha de angariação de fundos para participar do open do Botswana, alegadamente  porque a federação de tutela não tinha 10 mil meticais para custear as despesas da sua participação naquela competição. Após conseguir juntar, com apoio de pessoas singulares, o valor necessário para a prova, a pequena atleta, mais uma vez, representou condignamente o país, tendo conseguido uma posição de destaque no pódio, amealhando uma medalha de ouro, pontuação que certamente servirá  de caminho para que ela possa chegar aos jogos olímpicos de Tóquio 2020.

Texto: Neuton Langa

Chama-se Célia Marlen Cabral Truzão, de 23 anos de idade, atleta da Selecção Nacional de Taekwondo na categoria dos 49kg, número um no ranking nacional da modalidade em femininos. Em entrevista ao Dossiers & Factos, a atleta conta que, para chegar aos jogos olímpicos, tem a obrigação de pontuar ao mais alto nível, para melhorar a sua posição no ranking mundial, de uma série de três campeonatos, começando pelo já vencido open do Botswana, para depois disputar um campeonato na África do Sul, no dia 10 de Novembro e, por último, no dia 05 de Dezembro, o open da Swazilândia.

É daí que, segundo Célia Truzão, surge a idéia de pedido de ajuda, através das redes sociais, devido à falta de condições financeiras para participar nos três campeonatos de uma única vez.

“Precisava de um financiamento para os campeonatos ou teria de abrir mão de um dos campeonatos. A ideia da mensagem que foi posta a circular nas redes socais era apenas informar a pessoas amigas e conhecidas que não possuía condições financeiras para participar do campeonato e a mensagem foi passando de boca em boca até que acabou fugindo do meu controlo”, justificou a atleta.

“Passaram-se alguns dias, e comecei a receber backup de pessoas que eu não esperava, começavam a mandar uma quantia significante na conta móvel, alguns ligavam para desejar-me boa sorte, outros compartilhavam a mensagem. Algum tempo depois, recebi duas ligações, uma de Edson Sumbana, dono da M.K Investimentos, perguntando se havia conseguido patrocínio e eu disse que não. Então Sumbana prontificou-se a custear as despesas e passou a ser o meu patrocinador oficial. A outra chamada foi do gerente do ginásio In Motion da Malhagalene, que também se prontificou a custear as despesas”, disse a atleta, mostrando-se bastante rendida com a solidariedade demonstrada.

Para trazer a medalha de ouro para casa, Célia Truzão teve que bater três adversárias, sendo uma do Botswana, outra do Zimbabwe e por último uma outra atleta de Moçambique. A primeira luta foi com uma atleta do Botswana, que, por sinal, acabava de regressar de um estágio na Coreia, razão pela qual a nossa galardoada teve, no início, receio de defrontá-la, porém acabou sendo a luta mais simples que teve, vencendo a luta por uma diferença de cinco pontos e o placar terminou fixado em 12 a 8 pontos.

“A segunda luta foi com a moçambicana Joaninha Massango, e venci por uma diferença de um ponto. Foi uma luta muito interessante”, recorda Truzão .

Para além de Célia Truzão, Moçambique fez-se representar naquele open por um total de 11 atletas, tendo logrado uma das melhores prestações do campeonato, ao conseguirem trazer 10 medalhas, sendo seis de Ouro, duas de Prata e duas de Bronze.

De referir que desde que regressou do open do Botswana, a atleta não manteve nenhum  contacto com a Federação Moçambicana de Taekwondo, porque, quando pediu apoio para a sua viagem, a justificação da federação para não custear as despesas foi que o campeonato não fazia parte do programa para este ano.

“Falta de apoio e patrocínio acaba desmotivando os atletas”

A atleta número um do ranking nacional da modalidade considera que a falta de apoio do Governo e de patrocínio está a contribuir para a desmotivação dos atletas.

“Moçambique é uma potência da modalidade ao nível do continente, contudo, tende a perder os níveis de competitividade, porque o Taekwondo é uma modalidade individual e é difícil ter patrocínio, o que acaba desmotivando vários atletas bons e de renome, por isso, a modalidade actualmente está meio morta”, sustentou.

Num outro desenvolvimento, Célia Truzão contou que já participou de vários campeonatos ao nível do continente africano e não só, tendo até ao momento arrecadado mais de 50 medalhas, sendo 35 medalhas de Ouro, três de Bronze e 12 de Prata.

Entretanto, a atleta fala da necessidade de o país participar em mais campeonatos internacionais, para que os atletas possam atingir um nível de pontuação que lhes dá acesso aos jogos olímpicos e mundiais, sendo para tal necessário apoio da federação e demais patrocinadores.

“Devia ser o papel da federação apoiar aos atletas nas suas deslocações internacionais porque na disporá os atletas estão em representação da Nação e todos saem a ganhar com os resultados positivos no final do dia”, sublinhou.

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