Central de energia pronta para aliviar “demanda”

Um sistema de recepção e tratamento do gás natural, duas turbinas a gás, de 40 megawatts (MW) cada, acopladas às respectivas caldeiras de recuperação de calor dos gases de escape e geração de vapor, uma turbina a vapor de 26 MW, um condensador refrigerado a ar, uma subestação de elevação da tensão de 11 para 66KV, edifícios de escritórios, sala de controlo, oficinas e armazém de peças sobressalentes são algumas das partes que compõem a nova central termoeléctrica de ciclo combinado a gás de Maputo, recentemente inaugurada pelo Presidente da República, Filipe Nyusi. Na verdade, trata-se da maior e mais moderna central de ciclo combinado ao nível da África Austral, com tecnologia de ponta e capacidade para gerar mais de 106 Megawatts (MW).

Texto: Maidone Capamba

Esta central vai juntar-se às já operacionais centrais hidroeléctricas de Mavuze e Chicamba, passando a Electricidade de Moçambique a dispor de uma capacidade de geração própria de 315 MW, contra os actuais 206 MW, o que constitui um reforço da capacidade em cerca de 150 por cento.

De acordo com o proponente, o projecto está inserido no âmbito do aumento da capacidade das fontes de geração de energia eléctrica, de modo a responder à demanda, e traduz-se no comprometimento do Governo de garantir o fornecimento de energia fiável e de qualidade, bem como permitir o acesso universal à energia eléctrica.

Para a Electricidade de Moçambique, a Central Termoeléctrica de Maputo vai acelerar o desenvolvimento socioeconómico da região metropolitana de Maputo e do sul do país, com menos perdas de transporte, tendo em conta que a central está próxima ao centro de consumo, o que vai, de certa forma, reduzir as distâncias de importação de energia da África do Sul para a região sul.

É importante notar que dos mais de 26 milhões de moçambicanos, apenas perto de um milhão e meio é que se beneficia da energia da EDM e perto de 70 por cento da população não tem acesso à energia eléctrica de nenhuma outra fonte alternativa, mas o Governo insiste que, com o apoio de “parceiros”, vai garantir energia para todos até 2030.

Falando na inauguração daquele empreendimento, o Chefe do Estado, Filipe Nyusi, referiu que a energia produzida com base no gás natural da Central Termoeléctrica de Maputo vai aumentar a capacidade de energia para a zona sul em 25 por cento.

Segundo ele, o desafio do Executivo moçambicano é garantir que até 2030 toda a população moçambicana tenha acesso à energia eléctrica, fornecida por diversas fontes. Aliás, no entender do Chefe do Estado, a par da Agricultura e Educação, a energia é prioridade do Governo, tendo em conta a pertinência que esta tem para o desenvolvimento das comunidades e do país.

“Vai aliviar as necessidades”

Na ocasião, o PR destacou que o empreendimento é um ganho importante para o país e para alguns países vizinhos beneficiários da energia nacional, à medida que vai aliviar a pressão sobre a Cahora Bassa, o que vai permitir que esta tenha sua capacidade de fornecimento reforçada.

Tal como este, o Chefe do Estado olha para os empreendimentos na área de energia como um grande ganho, pois permitem aliviar as necessidades de energia eléctrica.

“Queremos que o povo moçambicano viva num país cada vez mais iluminado, com fontes de energia diversificadas. Esse foi um dos extractos do nosso discurso de tomada de posse, em 2015. Para dizer que se trata de um compromisso do Governo visando estender a energia muito para além das sedes distritais”, sublinhou.

O PR reconheceu que a falta de energia eléctrica em quantidade e qualidade desejadas no país tem como impacto o atraso do desenvolvimento da economia nacional, que se encontra em franca recuperação.

Garantida energia de qualidade 24 horas às cidades de Maputo e Matola

Por seu turno, o PCA da EDM, Mateus Magala, avançou que a empresa investiu mais de 13 milhões de dólares na construção da central e pediu ajuda de 167 milhões de dólares americanos à agência JICA, totalizando 180 milhões de dólares.

Magala considera que o apoio da JICA corresponde a uma taxa de juro muitíssimo favorável de 0.01 por cento por ano, a ser pago durante 40 anos. “É o maior investimento do Governo nos últimos 30 anos”, atesta o responsável máximo da EDM, já de malas aviadas para o Banco Africano de Desenvolvimento, depois de ter liderado uma reforma institucional na EDM.

Magala certificou também que a central vai dar resposta ao crescimento da demanda de energia eléctrica e possui qualidades fiáveis, no que à preservação do ambiente diz respeito, acrescentando que esta infra-estrutura vai particularmente assegurar a disponibilidade de energia de qualidade durante 24 horas às cidades de Maputo e Matola.

“A energia da Central Termoeléctrica de Maputo, combinada com a das centrais hidroeléctricas de Mavuze e Chicamba, passa a contribuir para a diversificação e aumento da energia em 150 por cento da capacidade de geração própria da EDM, passando dos actuais 206 MW para 315 MW”, garantiu.

Por sua vez, o embaixador do Japão, Toshio Ikeda, enalteceu a parceria nos seguintes termos: “a EDM é um parceiro estratégico e com a inauguração da central, a parceria torna-se mais fortificada. Esperamos que melhore a vida do povo e promova a produção”, disse, dando garantias de que continuará a colaborar com o país em vários domínios.

Já, o vice-presidente da Agência Jica, Hiroshi Kato, entende que o desafio de assegurar energia até 2030 passa por muitos esforços e o Japão está interessado em apoiar na saúde e educação, especificamente.

De salientar que a central termoeléctrica de ciclo combinado a gás de Maputo contribuirá com 25 por cento do consumo de energia eléctrica da região sul do país, respondendo, de forma eficaz, aos enormes desafios, como é o caso da indústria e mais famílias não abrangidas pela rede eléctrica nacional.

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