Clube do livro une leitores moçambicanos

Como forma de desenvolver o gosto pela leitura no país e contribuir para o desenvolvimento intelectual dos jovens moçambicanos, enriquecendo assim a cultura, o escritor e actual presidente do Fundo Bibliográfico, Nataniel Ngomane, e alguns amigos criaram o Clube do Livro, um círculo social que serve de espaço para leitura simultânea e posterior partilha de experiências de leitura.

Inspirados nas palavras do inglês Joseph Addison, que considera que “a leitura é para o intelecto o que o exercício é para o corpo”, jovens da província e cidade de Maputo reúnem-se uma vez por semana, por duas horas, em espaços públicos para uma leitura colectiva.

O Clube do Livro, criado no dia 1 de Novembro do ano passado, surge a partir de um grupo de amigos leitores que olharam para a leitura como um veículo para unir os jovens moçambicanos.

“Saíamos de uma exposição denominada ‘A Língua Portuguesa em Nós’ e decidimos, a partir daí, manter encontros, pois tínhamos algo em comum, que é o gosto pela leitura. Pensamos que, se calhar, podíamos unir os jovens, daí que decidimos criar o Clube do Livro”, explicou Tomás, um dos membros fundadores.

A leitura colectiva iniciou no Jardim Tunduro e, tendo conquistados mais jovens, entre escritores e leitores, a caravana vai passando de parque em parque, para atrair mais jovens que se identifiquem com a causa.

“As pessoas que não lêem não são críticas, nós, enquanto moçambicanos, não somos críticos, limitamo-nos a aquilo que nos é apresentado. Com a leitura, é possível mudar este cenário. Temos de ler para saber criticar a sociedade, a formação de críticos é um dos grandes contributos do Clube do Livro”, contou Delfina, membro do clube.

O clube conta actualmente com cerca de 50 membros, um grupo sem padrão literário e foca-se essencialmente na leitura, onde cada membro tem a oportunidade de viajar nas palavras e letras à sua escolha.

Um contributo para a cultura moçambicana

 Com esta iniciativa, estes jovens ambicionam reunir milhares de jovens, do Rovuma ao Maputo, do Zumbo ao Índico, para viajarem em simultâneo, através da leitura, considerada base para o desenvolvimento de uma sociedade.

Os mentores desta ideia vêm nesta iniciativa um forte aliado para retirar os jovens de actividades ilícitas, para se desenvolverem através da cultura, em particular da leitura.

“Criamos o Clube do Livro para as pessoas verem uma oportunidade de desligar-se dos seus problemas e verem novas oportunidades e possibilidades na leitura”, explicou Delfina.

Já surgem ideais de replicar a prática noutras províncias do país e quiçá torna-la num clube do livro a nível nacional.

“A leitura é algo que enriquece as nossas faculdades mentais. Idealizamos fazer isso em simultâneo por todo o país, pois quanto mais pessoas lerem, teremos mais pessoas cultas em Moçambique”, projectam os fundadores.

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