Conflito de terra: Populares marcham para pressionar Governo a agir contra Carlos Jeque

 

Um grupo de populares residentes nos bairros de Massinga e Eduardo Mondlane, no distrito de Marracuene sairá à rua, esta Terça-feira, numa marcha de quase 40 quilómetros que desaguará no gabinete de trabalho do Governador da Província de Maputo, Raimundo Diomba, em protesto contra o enceramento de uma tradicional via de acesso aos dois bairros a partir da Estrata Nacional Número Um (EN1). O caso envolve o jurista Carlos Jeque que recentemente foi apresentando numa pomposa cerimónia como regressado ao partido Frelimo.

Na verdade, trata-se de um caso já com barba branca, que iniciou em 2015, quando Carlos Jeque, natural daquele distrito, decidiu construir um imponente edifício num terreno pertencente à sua família, obstruindo uma via que parte da antiga empresa Ripele até ao antigo controlo de Marracuene, atravessando vários bairros.

Contudo, sucede que mesmo antes de aquela propriedade ser ocupada pela sua família a via já existia, segundo populares.

Depois de vários anos de contestação, no ano passado, o Governador da Província de Maputo, Raimundo Diomba, decidiu arguir a favor da população dos dois bairros, proibindo Carlos Jeque de continuar a interditar a passagem de pessoas e bens naquela via.

Ademais, tendo em conta que a via é densamente habitada, Diomba, orientou o visado que, querendo, poderia negociar a retirada de algumas famílias circunvizinhas para dar lugar a abertura de um desvio, devendo arcar com custos de remoção, indemnização e reassentamento destas noutros bairros.

Contudo, passado mais de um ano, nada aconteceu. A via continua interdita e o cidadão Carlos Jeque não se mostra aberto ao diálogo com a população dos dois bairros. Como se tal não bastasse, pouco ou nada o governo distrital faz para fazer cumprir o despacho do Governador.

Para a população, tal só acontece porque Carlos Jeque goza de protecção ao mais alto nível. Alegam inclusive que o seu regresso ao partido Frelimo visava mesmo reforçar essas influências, por isso na semana finda estava marcada uma marcha que iria desaguar no gabinete do Governador Provincial.

Apercebendo-se da situação, o administrador do distrito de Marracuene pediu um encontro com os queixosos, no qual prometeu solucionar o problema imediatamente, no entanto, até ao fim da tarde desta segunda-feira, nada havia sido feito no sentido de cumprir o despacho do Governador.

Nova marcha e ameaças de morte

Diante da aparente inércia do governo distrital de Marracuene em fazer cumprir o despacho do governador provincial, aquele grupo de populares já comunicou às autoridades a sua intenção de marchar, amanhã, até ao gabinete do governador, contudo, desde o princípio desta tarde alguns integrantes começaram a receber mensagens intimidatórias.

Numa das mensagens, o Chefe das Operações do comando distrital da PRM, cujo nome não conseguimos apurar, exigiu que fosse cancelada a manifestação sob risco dos cabecilhas serem responsabilizados por “qualquer coisa que acontecer, porque, como sabe quando há esse tipo de manifestações há mortes”, advertiu num tom ameaçador.

Refira-se que, na nota que convoca as manifestações que o Dossiers & Factos teve acesso, o grupo diz que trata-se de uma manifestação pacífica cujo fim último é pressionar as autoridades locais a fazer cumprir o despacho do governador que proíbe Carlos Jeque de interditar aquela importante via de acesso.  

A população não compreende como é que o Chefe das Operações pode falar de morte numa marcha manifestamente passífica.

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