Costureiros nacionais facturam em tempos de crise

 

No quadro do estado de emergência, que acaba de ser prorrogado por um período de mais de um mês, o governo instituiu o uso de máscaras em lugares públicos como uma obrigatoriedade. E, à moda moçambicana, cidadãos de todos os estratos sociais têm vindo a cumprir a recomendação, mas há um tipo de máscara que se destaca. A de capulana, feita por costureiros locais, que viram nesta crise uma oportunidade para facturarem. A grande demanda fez com que muitas pessoas investissem na produção e comércio de máscaras caseiras.

Texto: Lídia Cossa

Tida como um dos principais símbolos da mulher moçambicana, a capulana passou a ter mais utilidade por causa do coronavírus, porém, o seu preço continua a ser o mesmo, custando entre 100 a 250 meticais, dependendo da qualidade.

Na baixa da cidade de Maputo, a Casa Elefante é uma das casas de venda de capulana que, nos últimos meses, tem registado um movimento desusado de pessoas que buscam várias variedades daquele tecido para produzirem as máscaras. Tal como esta, vários outros pontos de venda de capulana passaram a ter mais demanda.

A alfaiataria da Dona Rita há muito que não funcionava com tanto ritmo, porém, desde que descobriu a produção das máscaras caseiras, todos os dias funciona. Por dia, produz cerca de 500 máscaras com ajuda da sua filha, Amélia, para depois revender nos principais mercados e terminais da Cidade de Maputo.

Um negócio bastante rentável, mas trabalhoso

 

Em conversa com a nossa reportagem, Rita Muchanga contou que é costureira há 30 anos, contudo, nunca tinha trabalhado tanto quanto agora, e reconhece que, para fazer face a demanda, é obrigada a sacrificar algumas horas de descanso.

Para além de revender nos mercados e terminais, ela também vende a grosso para algumas pessoas que, por sua vez, fazem o seu próprio negócio.

“Não é fácil, mas vale a pena”, é assim como ela define o trabalho da produção de máscaras caseiras para revender. Rita compra por mês 500 peças de capulana, e cada peça produz 50 máscaras, sendo que cada uma é vendida ao preço de 50 meticais. Feitas as contas, em cada capulana, consegue mais ou menos 2500 meticais.

“O negócio é rentável, por isso, neste momento, parei de fazer outras peças e prefiro trabalhar só com máscaras, porque além de produzir para mim, tenho que produzir para as pessoas que compram a grosso. Produzo 150 para mim, produzo 350 para essas pessoas que compram a grosso. Por vezes não consigo fechar a meta e produzo 400 ou 350, porque nem sempre as coisas saem como desejamos”, explicou. A grosso, cada máscara é vendida a 25 meticais.

A costureira Laura Muianga é outra que há muito não trabalhava tanto. Para fazer face a demanda, mudou até de localização. Se antes trabalhava no quintal de sua casa, agora trabalha no interior do mercado Xipamanine, e é lá onde já conquistou um grande número de clientes, entre individuais e colectivos.

Laura contratou ajudantes para dinamizar a produção, tendo em conta que prefere vender a grosso para salões de cabeleireiro e para algumas empresas. “Cada um de nós aqui tem a tarefa de produzir 700 máscaras por dia, se não consegue tem que fazer horas extras, porque a demanda é grande”, revelou.

A costureira conta com três colaboradores permanentes e mais de dez circunstanciais. Conta que com o negócio conseguiu atingir lucros que nunca teve antes. “Está a ser muito bom trabalhar com este negócio, temos lucros, apesar de não descansar o suficiente”.

Mudar de negócio para fazer face a demanda actual

Antes da pandemia da covid-19, os alfaiates, no mercado informal de Xipamanine, dedicavam-se ao ajustamento de roupas usadas, compradas no local, mas por causa da grande procura pelas máscaras, agora dedicam-se a produção destas, com base em algumas peças de capulana.

Os compradores consideram estas máscaras melhores que as convencionais, porque, para além de serem confortáveis, também se podem usar por mais tempo, desde que se cumpram as medidas de precaução recomendadas pelas autoridades.

“Ando com três máscaras de capulana, todas lavadas e engomadas, porque o Ministério da Saúde disse que não se pode ficar todo o dia com a mesma máscara. Essas de capulana são as melhores porque no fim de cada jornada é só chegar em casa lavar com água quente e sabão, engomar e voltar a usar, enquanto aquelas normais não tem essas vantagens”, considera Júlia Sérgio.

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