Covid-19: MLT acusada de negligência

 

Está instalado o descontentamento no seio dos trabalhadores da Mozambique Leaf Tobacco (MLT), uma fábrica que se dedica ao processamento de tabaco, detida pelo grupo Universal Corp, multinacional de capitais britânicos. Os trabalhadores da instituição na província de Tete, onde a empresa está sediada, falam de negligência em relação às medidas de prevenção, o que os preocupa, até porque já há casos positivos na fábrica.

“Não estamos satisfeitos com a forma como nós estamos a tratar questões ligadas a covid-19. Estamos a brincar com o vírus”, denunciam os colaboradores, para quem a situação “coloca em causa o maior ativo que uma empresa pode ter, o capital humano”.

“Estrangeiros não usam máscara”

Inquieta aos queixosos o suposto não uso da máscara por parte de estrangeiros. “Os moçambicanos usam máscara, mas os estrangeiros são relutantes, e quando usam é de forma irregular”. Tudo isso acontece, supostamente, sob olhar da direcção da empresa, que, de acordo com os trabalhadores, pouco investe na prevenção.

O médico da instituição, identificado pelo nome de Fraser, é tido como o principal inviabilizador do investimento na aquisição de material sofisticado e de maior eficácia. “Nós não somos um supermercado, devíamos ter equipamentos top de gama, não devíamos medir  temperatura com uma pistola (termómetro manual), mas sim com uma câmara infravermelho, devíamos ter um dispensador automático de álcool gel”, sustentam.

Do rol de queixas dos trabalhadores consta ainda o alegado secretismo com que são tratados os casos positivos. A massa laboral diz não saber quem está infectado, porque a empresa esconde essas informações, e que só tem suspeitas baseadas na não comparência ao posto laboral. Igualmente, acusam a fábrica de não desinfectar as áreas onde os supostos infectados operam.

“Não é ético revelar identidade dos infectados”

O Dossiers & Factos contactou o gestor clínico nacional da MLT, Sérgio Machava, a fim de confrontar as queixas dos trabalhadores. Machava desmentiu que os estrangeiros sejam relutantes em relação ao uso da máscara, sublinhando que “eles até têm mais medo do que nós”, mas confirmou que a empresa tem tratado com confidencialidade os casos positivos.

De acordo com o gestor clínico, a prática enquadra-se no “sigilo profissional”, até porque “não seria ético revelar a identidade dos trabalhadores infectados”, fundamentou.

Sérgio Machava também saiu em defesa do médico da instituição, que, nas suas palavras, “trabalha incansavelmente, 24 horas por dia, para garantir o bem estar dos trabalhadores”. Por outro lado, garantiu que a empresa já tem contemplada no seu plano de contingência a aquisição de termómetros infravermelhos, por ter entendido que os que estão agora em uso “não são efectivos”.

Covid-19 provoca morte de um trabalhador

Entretanto, há já registo de uma morte por covid-19 naquela unidade de processamento de tabaco. A informação foi dada pelo próprio gestor clínico nacional. O caso deu-se na semana passada, quando o doente era transportado para um centro de isolamento.

Neste momento, há naquela empresa 20 trabalhadores em isolamento e outros 10 em quarentena. De acordo com a fonte, a MLT tem prestado assistência a todos os trabalhadores infectados. Sérgio Machava também anunciou a aquisição de 40 oxímetros, instrumento que é usado para determinar o nível de saturação de oxigénio no sangue.

Para além de Tete, onde tem a sua sede, a MLT opera também nas províncias da Zambézia e Niassa.

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