Covid-19: Um caos total e completo para as agências de viagens e operadores turísticos

 

É assim como o presidente da Associação de Agentes de Viagens e Operadores Turísticos  de Moçambique (AVITUM), Noor Momade, caracteriza o panorama actual imposto pelo coronavírus, e alerta que o Governo deve fazer alguma coisa, caso contrário, mais de uma centena de agências de viagens e dezenas de instâncias turísticas poderão decretar falência.

“Estamos a viver momentos bastante conturbados, e estamos a viver uma situação anómala, todas as reservas que haviam sido feitas foram canceladas, não há ninguém a querer viajar, não há ninguém a querer vir para aqui, não há ninguém a querer sair daqui para fazer passeio ou ir de férias”, descreve Noor Momade.

O presidente da AVITUM não tem dúvidas de que o sector de aviação, viagens e turismo é o mais afectado aqui em Moçambique, e adianta que já está a sofrer pressões dos seus associados no sentido de perceber o que deve ser feito e como irão sobreviver”.

Este flagelo acontece numa altura em que o volume de negócio das agências de viagens em Moçambique estava a crescer. Só para se ter uma ideia, em 2017, o volume de negócios era de 122 milhões de dólares, em 2018, houve um incremento de 18%, e o volume de negócio foi de 144 milhões de dólares. Em 2019, houve um incremento de 10 % em relação a 2018, e uma venda total de 158 milhões de dólares.

No que diz respeito ao turismo, “tivemos conhecimento de que mais de 36 lodges em Inhambane já fecharam, neste momento, a hotelaria em Maputo está com ocupação de menos de 10%, uma cidade que normalmente a ocupação é de 90%. Temos hotéis vazios, às moscas, e a tendência é piorar, este é o cenário que estamos a viver actualmente”, lamentou Noor Momade.

Os impactos deste vírus já estão a reflectir-se, segundo Noor Momade, e até princípios do mês de Março em curso as perdas já atingiam a fasquia dos 50 por cento, comparativamente a igual período do ano passado.

“Se a pandemia continuar como está, e se muito rapidamente não haver uma cura ou vacina, acredito que em Abril e Maio teremos quedas catastróficas, porque as companhias aéreas estão a deixar de operar, vão pôr todos seus aviões em terra, e da mesma forma vamos ouvir falar de agências de viagens que vão fechar as portas”, esclarece.

Diante desta situação, Momade não vê outra saída senão um diálogo franco com o Governo, no sentido de criar bolsas de financiamento a custos baixos, criar condições dos agentes terem algum tipo de ajuda, através de isenções ou descontos consideráveis, no mínimo em relação aos impostos, em relação ao IVA, em relação ao INSS e algumas outras taxas mensais.

Refira-se que em Moçambique existem registadas no Ministério do Turismo e com licença mais de 200 agências, mas efectivamente a funcionar em pleno não chegam 100, e destas só 35 é que são agências IATA, ou seja, habilitadas a fazer reservas e emitir bilhetes.

Na semana passada, duas grandes companhias aéreas, nomeadamente Qatar AirWays e a TAAG, deixaram de voar para Moçambique, e a South African Airlines, que já enfrenta uma crise financeira, poderá ser a próxima companhia a sair de Maputo.

Países bastante evoluídos, como Alemanha, França, Itália e Espanha já fecharam completamente as fronteiras, as pessoas estão enclausuradas dentro das suas próprias casas, não podem sair à rua, e existe policiamento na rua para prender ou multar quem sai sem a devida autorização.

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