Cresce o ‘coro’ de pais que afirmam que não vão mandar os filhos à escola

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Os casos de Covid-19 que até hoje foi possível rastrear já passam da barreira dos mil, num contexto em que o país ainda não atingiu o pico da doença, o executivo moçambicano decidiu abrir, de forma faseada, as escolas, para a retoma das aulas presenciais. Num país vasto e desigual como Moçambique, que ainda tem várias escolas com condições de saneamento deficitárias ou praticamente inexistentes e um sistema de transporte que é um caos, o Governo pretende juntar crianças, adolescentes, jovens e adultos em locais fechados, propensos à propagação do vírus. Por essa razão, pais e encarregados de educação fincam o pé e alguns juram que não irão mandar os filhos para a escola enquanto a situação prevalecer, para não colocarem em causa a saúde de seus filhos, bem como dos seus agregados familiares, alguns dos quais com idosos, considerados do grupo de risco.

Texto: Lídia Cossa

Depois de o Chefe do Estado ter decidido relaxar o estado de emergência e anunciar o regresso paulatino das aulas, o Conselho de Ministros, definiu, semana finda, o dia 27 de Julho como a data da retoma das aulas presenciais no país, depois de quase quatro meses de interrupção. Numa primeira fase, a medida abrange os alunos da 12.ª classe e a formação de professores, nas instituições em condições de garantir a protecção dos formandos.

O regresso às aulas acontece numa altura em que o cenário da Covid-19 em Moçambique é bastante preocupante, com o crescente número de novas contaminações.

De resto, o país ainda nem chegou ao pico da doença, que já causou milhares de mortos no mundo,  e o gráfico continua ascendente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou ao mundo para preparar-se para dias piores.

A reabertura compreenderá três fases. A primeira é a da 12.ª classe e formação de professores. A segunda etapa abrangerá a 10.ª e 7.ª classe, bem como o terceiro ano de alfabetização de adultos, quanto à terceira fase, será da 1.ª à 6.ª classe, incluindo a 8.ª, 9.ª e 11.ª classes, assim como a alfabetização e formação de professores.

No ensino superior, profissional e técnico-profissional, o reinício de aulas será implementado em duas fases. A primeira incidirá sobre os dois últimos anos académicos de cada curso, se tal for aplicável, disse Nyusi.  A segunda etapa abrangerá todos os outros anos académicos.

Governo vai usar estudantes como “cobaias”

Na sua comunicação à nação, num dia em que frisou que a única forma de vencer a Covid-19 seria “ficar em casa, Filipe Nyusi explicou que, mesmo com o quadro negro da doença, infelizmente, há ainda os que persistem em fazer-se à rua, em particular as crianças, sem motivos plausíveis.

“Evitar a mobilidade é uma condição essencial para vencer esta doença, mas esse cuidado está ainda longe de ser cumprido”, disse o PR. Mesmo assim, determinou a reabertura de escolas, num país em que mais de 80 por cento das escolas não dispõem de condições de saneamento adequado.

A título de exemplo, das mais de 600 escolas secundárias que leccionam a 12.ª classe, apenas 171 é que, neste momento, têm condições mínimas para a reabertura. Se o cenário é razoável nos grandes centros urbanos, o mesmo não se pode dizer das zonas rurais, onde existem escolas que nem sequer poço têm.

A retoma faseada das aulas, em todo o território nacional, significa levar crianças dos cinco aos 12 anos, adolescentes dos 13 aos 17 anos, jovens dos 18 aos 35 anos e até adultos às ruas todos os dias, para se fazerem transportar num sistema de transportes que não se mostra eficaz, sobretudo nas horas de ponta, em que as paragens ficam abarrotadas.

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