DESVIO DE DINHEIRO: MINEDH vira “vaca leiteira” de funcionários da Educação e bancários

Um grupo de funcionários do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (MINEDH), alguns dos quais já aposentados, suspeitam que o pelouro da Educação pode estar a ser vítima de um rombo financeiro, através de um esquema que consiste na duplicação do valor dos salários em algumas contas de funcionários, domiciliadas no Millennium Bim, sendo que o dinheiro posteriormente some sem nenhuma explicação. O que agrava as suspeitas é que tem sido frequente, pelo que descartam a possibilidade de ser uma falha.

Texto: Arão Nualane

Apesar de o Estado ter introduzido reformas na gestão de finanças públicas para travar os desvios de fundos que lesam anualmente o estado em milhões de meticais, parece que a rede de prevaricadores também tem estado a aprimorar os seus esquemas, para viciar o sistema electrónico de pagamentos no sector público, o e-Sistafe, de forma a beneficiarem-se de remunerações indevidas.

Desta feita, funcionários do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, na sua maioria reformados, que aceitaram falar para o Dossiers & Factos na condição de anonimato, por medo de represálias, denunciaram a existência de um esquema de desvio de fundos, que consiste em pagamento de valores nas contas dos funcionários duas ou três vezes a mais que o seu salário, valor que posteriormente é retirado das contas sem nenhuma satisfação.

As fontes do Dossiers & Factos, que dizem que ficaram surpreendidas quando viram suas contas gordas por alguns instantes, afirmam que decidiram recorrer à Imprensa porque não sabem qual é o procedimento usado quando os valores “caem” nas contas a dobrar ou a triplicar.

Suspeitam que o esquema seja articulado entre funcionários seniores do ministério, técnicos responsáveis pelo processamento do salário e alguns funcionários desonestos do banco Millenium Bim, pois o dinheiro entra nas suas contas e é de seguida debitada a parte que não pertence aos funcionários, preferencialmente aposentados.

“O que mais nos mete medo é que não há nenhuma comunicação, e a qualquer momento, tratando-se de dinheiro do erário público, podemos ser vítimas de acusação, comparticipação em roubo de fundos do Estado, porque os valores são direccionados às nossas contas”, denuncia um dos funcionários cuja conta é frequentemente usada para o esquema.

“Como é que os fundos saem das nossas contas e para onde vão não é do nosso conhecimento. Provavelmente, estão a sair em forma de transferência para uma outra conta, pela entidade bancária que nos presta serviços, neste caso, o Millennium Bim. Tememos que a qualquer momento podemos ser chamados ao banco dos réus inocentemente”, remata outro funcionário.

O Dossiers & Factos soube que o dinheiro, em alguns momentos, é retirado de forma antecipada, isto é, antes dos quadros da educação aperceberem-se de que o dinheiro do salário já caiu na conta.

“Mas alguns de nós acabamos nos apercebendo que o salário já existe e tem na conta valores a duplicar ou a triplicar”, revelam as fontes, esclarecendo que se aperceberam do movimento estranho nas suas contas no ano passado, e que de lá para cá o facto tem sido frequente.

Leia na íntegra em https://jornal.musicambicano.com/leitura.php?id=32

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