Dhlakama previu que depois da sua morte a Renamo teria “muitos problemas”

 

Assinalou-se, este Domingo, 03 de Maio, a passagem de dois anos após o desaparecimento físico do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, cujos restos mortais jazem num cemitério familiar no distrito de Chibabava, sua terra natal. E para traçar a radiografia da Renamo dois anos depois da perda do seu líder histórico, ouvimos Elias Dhlakama, seu irmão mais novo, que revela que Afonso Dhlakama já previa a possibilidade de a Renamo entrar em crise depois da sua morte. Entre várias coisas, considera a rebelião movida por Mariano Nhongo contra a liderança da Renamo uma situação triste para o partido, mas, no seu entender, é um problema que já saiu das fronteiras da capacidade da Renamo, cabendo ao Governo e aos moçambicanos solucioná-lo. Nas entrelinhas, deixa escapar que se fosse presidente da Renamo, já teria estratégia de como resolver o assunto. Na entrevista que se segue, revela pormenores da sua relação com Ossufo Momade, e não descarta a possibilidade de voltar a concorrer ao cargo de presidente da Renamo.

Texto: Serôdio Towo

Dossiers & Factos (D&F) – Há sensivelmente cinco ou seis meses, tivemos eleições gerais, provinciais e legislativas, e uma vez mais a Renamo perdeu as eleições, mas desta vez da pior forma. Perdeu, inclusive, nos círculos eleitorais que nos havia habituado a vencer. Como membro sénior do partido, que leitura faz dessas eleições? O que terá falhado no seio do vosso movimento?

Elias Dhlakama (ED) – Talvez dizer que não falhou praticamente nada, a Frelimo já nos habituou a roubar-nos, talvez nós ainda não encontramos as melhores maneiras de nos prevenirmos, para não sermos roubados dessa maneira, porque nunca estivemos tão próximo do poder como desta vez. A Frelimo usou todas as artimanhas, a partir do recenseamento, e um exemplo claro é o de Gaza, que foi uma vergonha para o país. Aliás, viu-se um pouco por todo o país que quando as pessoas chegavam para se recensear, alegava-se que as máquinas estavam avariadas, isso cansava os eleitores, que acabavam por regressar às suas casas.

Essa foi a primeira fraude que a Frelimo orquestrou a partir do recenseamento, e não houve recenseamento em Moçambique, só podia se recensear aquele que era ou é membro da Frelimo, porque levavam consigo as listas, e os secretários de bairro tinham registados todos aqueles que eram membros da Frelimo.

E o outro cenário foi mesmo no dia da votação, o enchimento das urnas aconteceu e houve intimidações. As Forças de Defesa e Segurança foram protagonistas no processo eleitoral, ao invés de defender e manter a segurança, estavam envolvidas directamente na fraude, e  sabe-se que alguns membros da polícia eram presidentes de mesas. Isto para dizer que isso não surpreende a ninguém. Quem esteve em Moçambique no dia 15 de Outubro assistiu a todas aquelas falcatruas, que deixaram a nu que a Frelimo sempre nos roubou. Talvez a pergunta fosse: Por que a Renamo também não cria mecanismos para que isso não aconteça?

D&F – Pode responder a sua própria pergunta?

ED – Bom, eu diria que nós, de facto, devíamos aprofundar, pois já faz muito tempo que estamos a participar nas eleições, mas nunca adoptamos nenhuma estratégia para nos prevenirmos de ser roubados. Já é momento de a Renamo abrir a vista, porque de contrário nunca chegaremos ao poder.

Clica aqui e baixe o PDF do Dossiers & Factos Digital e leia a entrevista na íntegra

 

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