Dia Mundial da Água: WaterAid insta Governo a dedicar mais investimentos ao sector

 

Sob o lema “o Valor da Água”, celebra-se, hoje, segunda-feira, 22 de Março, o Dia Mundial da Água. A WaterAid, uma organização internacional sem fins lucrativos determinada a trabalhar para que a água limpa, os sanitários decentes e uma boa higiene sejam normais para todos, em todo o lado, afirma que esta ocasião serve para alertar os governos e as populações para a urgente necessidade de aumentar os investimentos, preservação e poupança deste recurso natural tão valioso, considerando o seu impacto em diferentes sectores, nomeadamente, saúde, educação, desenvolvimento económico e outros.

Através do lema deste ano, segundo a organização, pretende-se transmitir a ideia de que a água constitui o elemento chave para a realização de todas outras actividades na vida humana. Por exemplo, os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável não vão ter sucesso se não houver água, saneamento e higiene. Não haverá o fim da pobreza, não haverá saúde para todos, não haverá educação para todos; não haverá desenvolvimento económico sem acesso à água, ao saneamento e à higiene.

Neste contexto, a WaterAid Moçambique insta o Governo a olhar para o investimento em água como um imperativo para a dignidade humana, para a sobrevivência da sociedade e para o desenvolvimento sócio-económico.

A organização internacional sem fins lucrativos entende que o Governo tem feito um trabalho no sector de água, saneamento e higiene, porém, pela dimensão do problema, investimentos significativos são necessários a fim de assegurarmos o acesso a água, ao saneamento e à higiene para todos e, dessa forma, contribuir para o desenvolvimento de Moçambique e preparar o país contra numerosas ameaças externas (eventos climáticos como cheias, ciclones, secas).

A WaterAid alerta que apesar dos progressos significativos ao longo dos anos, apenas 55% dos moçambicanos têm acesso a um melhor abastecimento de água. Além disso, mais de um terço (36%) são forçados a defecar em campo aberto (UNICEF). Continua a haver uma enorme disparidade no acesso à água entre urbano (64%) e rural (49%), bem como a nível regional, por exemplo, Zambézia (31%) versus Maputo (88%) (UNICEF).

Para agravar a situação, os governos em todo o mundo continuam a negligenciar o impacto das alterações climáticas no abastecimento de água, o que ameaça retroceder todo um esforço para a melhoria do acesso aos serviços de provisão de água desencadeados durante décadas.

O mais recente relatório da WaterAid: “Inverter a maré: a situação da água no mundo em 2021” revela como as pessoas estão a perder o acesso à água limpa à medida que as secas mais prolongadas esgotam as nascentes, a água do mar se infiltra nas reservas de água subterrânea e os deslizamentos de terras, as cheias e ciclones destroem as infra- estruturas de água, saneamento e higiene.

A organização mostra que investir em sistemas de água que proporcionem um abastecimento fiável em qualquer clima é uma primeira linha de defesa contra o impacto das alterações climáticas. Na batalha crucial para reduzir as emissões globais actuais e futuras, a situação enfrentada hoje pelos mais afectados pelas alterações climáticas tem recebido pouca atenção ou investimento. A instituição apela aos governos para que atribuam prioridade à água nos seus planos climáticos.

Sem acesso fácil a água limpa, as vidas das pessoas são prejudicadas por doenças, pela pobreza e pelo fardo interminável de recolher água.

Globalmente, estima-se que, por cada dólar investido em água, há um retorno de 2 dólares e, por cada dólar investido em saneamento, há um retorno de 5,5 dólares devido à poupança de tempo e à melhoria da saúde (fonte: OMS 2012). Estes números são provavelmente muito mais elevados para Moçambique, dado que o acesso a ambos é muito inferior à média global.

 

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