Dinheiro de corona

No ano passado, Moçambique foi beneficiado por um valor estimado em milhões de euros para subsidiar as populações carenciadas neste tempo da pandemia do coronavírus.

O que aconteceu foi o registo das pessoas que supostamente seriam os consequentes beneficiários do subsí-dio, isso em Outubro de 2020, num processo que foi pouco conhecido pela maioria das populações. Ouve o registo das pessoas, processo de re-querimento dos cartões de identifica-ção que contêm as respectivas fotos.

O que acontece é que, há dias, o processo de atribuição dos valores do subsídio iniciou e está a gerar muito barulho e polémica, porque, em cada bairro, o processo de inscrição dos beneficiários foi feito de forma pouco clara, pois os chefes dos quarteirões fizeram-no de forma discriminatória, isto é, escolhendo o tipo de pessoas

que fariam parte do processo, e mui-tas famílias foram excluídas dos 4500 MT por receber.

Casos há em que cidadãos não sé-rios e egoístas fizeram malabarismo no sentido de envolver quase todos os membros da mesma (sua) família, a fim de terem acesso a este dinheiro de barulho. Os chefes dos quarteirões têm também culpa no cartório, porque o critério de selecção por eles aplicado foi pouco claro, discriminatório e que carrega preceitos de exclusão social. Afinal este dinheiro é para alguns ou para todos os moçambicanos.

Quantos moçambicanos desempre-gados o país tem? Quantos cidadãos vivem em condições deploráveis e de extrema pobreza? Se o lema é “ficar em casa”, recolher obrigatório, como forma de mitigar os efeitos da Co-vid-19, então que o subsídio de Covid seja para todos os carenciados, o que não se verifica neste processo.

O Estado moçambicano já recebeu inúmeras doações em dinheiro, ava-liado em milhões de dólares para a dinamização e desenvolvimento dos diversos sectores no país, mas isso não se reflecte no pacato cidadão. O povo está cada vez mais pobre, e um grupo de pessoas cada vez mais rico. O sis-tema de governação nesta pérola do Índico, às vezes, deixa muito a desejar.

Aquando da eclosão do novo coro-navírus, o E.M pediu ajuda de cerca de 700 milhões para o controlo da pande-mia, o que suscitou certa desconfiança por parte dos cidadãos, uma vez que a maioria das doações não se repercute.

Agora, o famoso “dinheiro do ba-rulho”, o dinheiro de corona, sem dú-vidas, continuará a criar vuku-vuku, se o processo de atribuição continuar nos moldes em que é feito.

Mais não disse.

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