É contraproducente manter-se no mato sem ameaça real

  • “Ossufo Momade devia sair para construir a sua imagem” – Defendem anaslisas

Atento aos últimos acontecimentos na perdiz e ao dead-lin (Hoje, 15 de Julho) dado pelos guerrilheiros para que Ossufo Momade renuncie a posição de candidato do partido, o académico e analista político, Evaristo Mausse considera que a Renamo já não está a conseguir disfarçar a crise, porque, segundo ele, o partido sempre conseguiu gerir a crise internamente.

Texto: Lídia Cossa

Nas últimas semanas, vários acontecimentos beliscaram a imagem da Renamo e colocaram a prova a liderança de Ossufo Momade, que viu a sua imagem, diga-se não muito popular, ser associada a supostos sequestro e manutrenção em cativeiro de altas oficiais da guerrilha da perdiz tidos como leais a Afonso Dhlakama.

Tendo em conta esse aspecto, Mausse, não tem dúvida de que a imagem de Ossufo Momade não é das melhores neste momento, o que poderá ter consequências desastrosas, pois faltam pouco menos de dois meses para as eleições.

Apesar de já ter submetido a candidatura para as eleições presidenciais, Mausse, acredita que deveria se fazer mais e considera absurda a decisão deste manter-se nas matas, mesmo sabendo que não há nenhuma ameaça real contra a sua vida, como acontecia com Afonso Dhlakama.

Neste momento, o mandatário do partido, Venâncio Mondlane e o secretário geral do partido, André Majimbiri encontram-se a mover os seus para promover a imagem do confinado presidente da perdiz, mas para o analista não é suficiente, tendo em conta que os outros, sobretudo o candidato da Frelimo que tem o beneplácito de contar com uma logística de Estado, já estão claramente em pré-campanha.

“Muitos só têm ideia de que o Presidente é Ossufo Momade, mas quem é Ossufo? Não sabemos. Ainda que tenha sido secretário-geral da Renamo há quem não conseguiu capitalizar isso, portanto, estamos perante uma figura desconhecida que a única vantagem que tem neste momento é ser o substituto de Afonso Dlhakama, mas isto no campo eleitoral não é suficiente”, sublinhou.

“Todo mundo está a espera que a Renamo resolva essa situação da crise, depois dos pronunciamentos que acompanhámos com os guerrilheiros, todos ficam a dizer que a Renamo deve resolver, mas como a Renamo vai resolver se não quer assumir que está em crise? Isso é para mim o mais perigoso”, acrescentou.

Para Mausse, a Renamo em termos de filosofia não mudou, o que há de diferente é a falta capacidade de mobilização por parte da nova liderança.

“Em termos da essência da própria filosofia da Renamo não mudou nada, mas o que acontece é a capacidade da pessoa que está a frente do partido de ter o carisma, a capacidade de mobilização dos membros. Haveria de mudar se tivesse havido uma mudança nos estatutos, se tivesse havido uma alteração na administração do partido, mas isso não mudou, continua a mesma Renamo desde a sua fundação”, concluiu.

Um partido em sono profundo e um presidente mudo

 

Por seu turno, Alberto Manhique lembra que, não obstante não ser Dhlakama e por via disso não ter o carrisma e a aceitação que este tinha, a imagem do Ossufo Momade enquanto presidente da Renamo e candidato as eleições já era precária antes de ser beliscada pelos recentes acontecimentos.

“Ossufo Momade não fala. Numa altura em que a Frelimo está em pré-campanha, o partido Renamo está num sono profundo, a Renamo não se encontra consigo próprio, o presidente do partido não se ouve, é um Presidente mudo, não se faz a política no silêncio, o Presidente não se faz sentir”, sublinhou.

 

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