Edis usurpam competências da saúde e instalam túneis

 

O país ressente-se da falta de um pouco de tudo, principalmente de meios financeiros, e os poucos que tem, usa-os indevidamente, numa altura em que se impõe política de austeridade, enfim, provavelmente, por razões emocionais, sob pretexto de querer contribuir a bem do movimento ou algum combate em causa, outrossim, por uma causa oportunista de alguns dirigentes.
A falta de proactividade por parte das autoridades da saúde, em relação ao impacto dos túneis de desinfecção, provocou uma acção precipitada de difusão, expansão e financiamento a vários níveis e sectores para montagem destes meios em locais de maior concentração popular, como são os casos de mercados e alguns hospitais. Também houve casos de montagem em pontos de acesso principais a algumas cidades nacionais.
Creio que quando são assuntos que mexem com a vida pública, os técnicos da saúde deviam lembrar que é da sua inteira responsabilidade intervirem, antes que se transforme numa calamidade, e que eles, como donos da área, sejam chamados à responsabilidade por terem agido tardiamente, procedimento que pode ser traduzido como sendo negligência propositada.
A ausência da intervenção ou orientação por parte da entidade da saúde propiciou a usurpação de seus poderes e competências por parte de alguns afáveis e alérgicos ao dinheiro. A acção responsável das autoridades da saúde teria travado a propagação de oportunismo, esbanjamento e açambarcamento dos parcos fundos do erário público.
Foi necessário uma estação televisiva programar uma entrevista com o veterano Dr Helder Martins, para apresentar as suas dúvidas quanto à eficácia e eficiência dos túneis, na desinfeção ou infecção de pessoas pelo coronavírus, para o Ministério da Saúde se despertar do sono profundo em que se encontrava?
Na verdade, o órgão que superintendente o sector da saúde no país devia se ter mostrado preocupado em perceber das vantagens e desvantagens de uso de túneis, na prevenção de covid-19, mal apareceu o primeiro túnel em Chimoio, fonte de inspiração das demais edilidades e instituições públicas no país. Era pela saúde do povo, os túneis deviam ter sido montados com anuência do sector da saúde
Tudo isso foi assistido passivamente pela entidade que superintende a área da saúde no país, mesmo percebendo de casos em que alguns túneis eram montados em certos locais e movimentava-se órgãos de comunicação social em busca da publicidade barata, porém, uma hora depois da inauguração, tais túneis eram dados como inoperacionais, porque estavam avariados ou estragados, depois de anunciados fundos avultados gastos em vão.
O povo deslocava-se para os sítios apontados como tendo túneis, para se desinfectar e os encontrava avariados. Para além da falta da proactividade do sector da saúde, a inspecção de economia e finanças, também, assistia passivamente os relatórios fornecidos sobre os avultados valores aplicados na aquisição de tais túneis.
Como é que alguns municípios chegaram a gastar rios de dinheiro na aquisição de túneis quando os seus municípios têm as sua vias de acesso com covas à profundidade das usadas em cerimónias fúnebres? Em algum momento, alguns edis, justificam o estágio das suas estradas a falta de dinheiro. E agora,onde buscaram o que aplicaram na aquisição de túneis?
O Ministério da Saúde ressente-se da falta de ventiladores para recuperação dos irmãos infectados pela covid-19, e apelou para que convertessem os valores que aplicavam na aquisição de túneis na aquisição de outros meios úteis no combate ao covid-19, e na recuperação de pacientes vítimas desta pandemia. O povo está atento à colaboração dos que semanalmente anunciavam a inauguração de túneis, fazendo o mesmo, cedendo apoios à saúde.
O avultado desperdiçar de dinheiro em alguns sectores parece não fazer sentido que o governo, até hoje, não tenha anunciado qualquer ajustamento salarial para o funcionário público, depois que tenha o feito em relação aos deputados e aos membros do governo a vários níveis. Uma atitude que vai ampliando o fosso entre o povo e os governantes que chegam ao poder sob argumento de quererem defender a população.
Como é que o explorador pode defender o seu explorado, o povo? Nem oposição, nem o governo, estão em condições de justificar o escancarado falso discurso de trabalharem a bem do povo, numa situação em que há discurso comum quando o assunto é roubar imposto do pacato povo para engordarem seus salários.

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