Elias Dhlakama a caminho das matas

Tal como avançou, recentemente, o Dossiers & Factos, o brigadeiro Elias Dhlakama, irmão mais novo do falecido líder da Renamo, Afonso Dhlakama, está mais próximo de substituir o seu irmão na liderança daquele partido. Com efeito, há semanas, passou para a reserva, a seu pedido, e nos últimos dias tem sido constante nos meandros da política activa.

Há semanas, avançámos, para além do seu nome, outros possíveis candidatos, contudo, pelas movimentações que estão a ter lugar ao nível da Renamo, parece estar a cristalizar-se a ideia de continuidade do clã Dhlakama na liderança do partido.

Elias Dhlakama, irmão mais novo de Afonso Dhlakama e um ex-guerrilheiro da Renamo, que após o Acordo Geral de Paz dedicou quase toda sua vida ao Exército, surpreendeu meio mundo quando, em Outubro último, pediu ao Chefe do Estado para passar à reserva, sem justificar os motivos.

Em resposta ao seu pedido, nos termos do disposto na alínea b) do n.o 1 do Artigo 163 do Estatuto do Militar das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, Filipe Nyusi, na qualidade de Comandante-em-Chefe, determinou, através de Despacho Presidencial, a passagem à reserva do brigadeiro Elias Macacho Marceta Dhlakama.

Curiosamente, havia sido nomeado, em Fevereiro de 2015, para comandante do Comando dos Reservistas e passam somente três anos depois de ter sido promovido à patente de brigadeiro, o que dá mais ênfase à possibilidade de poder vir a dirigir a Renamo.

Informações em nosso poder dão conta que a sua desvinculação do Exército faz parte da estratégia da Renamo, no âmbito da preparação antecipada das eleições gerais de 2019, onde este é apontado como a principal aposta para disputar a Presidência do país com Filipe Nyusi.

Ainda de acordo com nossas fontes, a sua desvinculação da vida militar visa permitir o seu enquadramento na política activa, uma vez que a sua condição no Exército sempre o impossibilitou de exercer aquela actividade.

Esses precedentes abrem mais a possibilidade deste poder vir a dirigir a Renamo. Aliás, nos últimos dias, tem sido visto com alguma frequência a exercer política activa e em jornadas de apoio a alguns membros do partido.

Recentemente, foi uma das figuras mais activas nas cerimónias de celebração do dia 17 de Outubro, data do desaparecimento físico do primeiro líder da Renamo, André Matade Matsangaissa, ao nível da cidade de Maputo.

Dias depois, foi visto entre as figuras de destaque da perdiz que acorreram ao Parlamento para resgatar António Muchanga, que se refugiou na chamada casa do povo, depois de ver a sua casa, na cidade da Matola, cercada por um aparato policial, que incluía carros blindados, na ressaca dos resultados eleitorais na Matola.

A caminho da mítica serra da Gorongosa

Elias Dhlakama é um dos quadros seniores da Renamo e das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, sendo também apontado como um dos homens de confiança do seu falecido irmão. Aliás, após o falecimento de seu irmão, Elias Dhlakama terá sido confiado a chefia da família.

Para muitos, antes mesmo do falecimento do seu irmão, já devia estar a ser preparado para assumir aquele posto. Aliás, a vida um pouco distante dos holofotes é vista por muitos analistas como sendo uma estratégia de Afonso Dhlakama visando protege-lo.

Recorde-se que numa outra entrevista, Raúl Domingos havia referido que o líder não havia indicado o seu sucessor em vida para preservá-lo de possíveis ataques da Frelimo, tal como acontecera com ele.

Segundo as nossas fontes, tal como Samora Machel Júnior  provou ter aceitação ao nível do seu partido, tendo como factor galvanizador o seu apelido, pesa sobre o nível de aceitação de Elias Dhlakama pelas bases da Renamo o factor apelido, mas também o facto de ser um homem de confiança do falecido líder.

Contudo, ao que tudo indica, poderá enfrentar alguma resistência de alguns segmentos dentro do partido, que certamente poderão não ver com bons olhos a concentração de poder no clã Dhlakama, numa altura em que se abriam novas oportunidades de sucessão no partido, depois de mais de 30 anos com o poder centrado em Afonso Dhlakama.

Segundo as nossas fontes, aquele que for eleito presidente da Renamo será automaticamente candidato daquele partido nas próximas eleições gerais, onde irá disputar a Presidência da República com o actual Chefe do Estado, Filipe Jacinto Nyusi.

Dados em nosso poder indicam que a eleição do novo presidente da Renamo terá lugar em Novembro próximo, quando a Renamo se reunir naquele que será o primeiro congresso depois da era Dhlakama.

O congresso é o órgão supremo da Renamo, com poderes para eleger o presidente do partido, a mesa do congresso, o conselho nacional e o conselho jurisdicional nacional; definir a estratégia política do partido; apreciar a actuação de todos os órgãos e deliberar sobre todos os assuntos de interesse para o partido; rever o programa e estatuto do partido; aprovar ou modificar os símbolos do partido, a bandeira, o emblema e o hino.

Tem direito a voto no Congresso da Renamo, para além do próprio presidente, os membros do conselho nacional, da comissão política nacional, do conselho jurisdicional nacional, delegados eleitos pelas conferências provinciais, representantes do partido no exterior e os representantes de cada uma das organizações especiais reconhecidos pelo partido.

Ossufo Momade e o sucesso de Nampula

Para chegar à liderança da Renamo, Elias Dhlakama terá que suplantar, nas eleições internas do partido, Ossufo Momade, actual líder interino, que vem ganhando popularidade nos últimos meses pela forma como vem gerindo os Dossiers sobre a descentralização e desarmamento da Renamo, bem como Manuel Bissopo, actual secretário geral do partido.

Desde a sua indicação por “unanimidade” para dirigir de forma interina os destinos da Renamo, na sequência da morte do seu líder, Ossufo Momad, um tenente-general, tem vindo a colher consenso ao nível da crítica.

Aliás, para alguns sectores, Momad tem a vantagem de ser general, representando, por isso, a ala mais forte da Renamo, sendo um indivíduo cuja voz possa ser ouvida pelos comandantes e guerrilheiros.

Por ora, o nome de Ossufo Momad caiu bem na crítica, sendo apontado por vários segmentos da sociedade como o homem certo para fechar o vazio deixado por Afonso Dhlakama, por ter capacidade para unir as duas alas.

A vitória esmagadora da Renamo em cinco das seis autarquias de Nampula, por sinal província onde este nasceu, veio reforçar o poder de Ossufo Momade, que parece ter galvanizado o eleitorado de Nampula, o maior círculo eleitoral do país.

Recorde-se que momentos depois de ter sido indicado para assumir interinamente a liderança da Renamo, Ossufo Momade visitou a província de Nampula, facto considerado como tendo sido fundamental para remobilizar o eleitorado de Nampula para apostar na Renamo.

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