Em desespero de causa: Simango tenta abater Sidat

 

A já conhecida “guerra” entre Alberto Simango Júnior, actual presidente da Federação Moçambicana de Futebol (FMF) e o seu predecessor, Feizal Sidat, conhece, desde semana passada, um novo capítulo. Há praticamente dois meses das eleições, Simango questiona Sidat sobre a gestão de dinheiros dos anos 2006 e 2015.

Com efeito, Feizal Sidat foi notificado a comparecer, na passada quinta-feira, 13 de Junho, na sede da FMF, com o propósito de esclarecer a utilização de cerca de 27 milhões de meticais, dinheiros doados pela Federação Internacional de Futebol (FIFA), ao organismo gestor do futebol nacional, durante a vigência dos dois mandatos de Sidat.

O caso resulta de uma auditoria financeira externa, feitas pela KPMG às contas da FMF, em 2015, por solicitação de Alberto Simango Júnior, naquela que foi a sua segunda medida após ter sido empossado ao cargo de presidente daquele organismo. A primeira, lembre-se, culminou com a troca de mobília de escritório por alegado medo de bruxaria.  

Segundo apurou o Dossiers & Factos, Feizal Sidat respondeu afirmativamente à notificação e compareceu, acompanhado por um advogado, a 13 de Junho último, para prestar declarações e esclarecimentos no âmbito de um inquérito aberto pelo Conselho Jurisdicional (CJ), sobre factos ocorridos na gestão da federação nos mandatos de 2006-2011 e 2011-2015.

Um processo tido como viciado desde o princípio!

Conforme apurou o Dossiês & Factos, o inquérito instruído pelo CJ da FMF é tido como viciado na medida em que o mesmo versa sobre um cidadão sem qualquer ligação com aquela entidade gestora do futebol nacional.

É que, contrariamente ao anunciado por aquele órgão social da federação para notificar o antigo dirigente, Feizal Sidat renunciou ao cosmético cargo de presidente honorário da federação em Maio de 2018, facto que retira toda e qualquer legitimidade do CJ de intimar cidadãos comuns para qualquer assunto relacionado com a gestão da FMF.

Aliás, a ida de Sidat à FMF, para atender à notificação “pariu um rato”, na medida em que Nazir Bikhá, advogado do antigo dirigente, fez saber aos membros do CJ, nomeadamente António Bouene e Carlos Comé, que o seu constituinte renunciou, há mais de um ano, a “cosmética” posição de presidente honorário da FMF.

Esta alegação foi de todo embaraçosa para a dupla de juristas afectos à Casa do Futebol, visto que não só não estava familiarizada com a renúncia de Sidat, como também demonstrou total desconhecimento do referido processo.

António Bouene e Carlos Comé, a mando de Alberto Simango Júnior, recomendaram, por isso, o adiamento da audição para uma data a anunciar, alegando precisarem de tempo para se inteirar do processo de renúncia de Feizal Sidar ao cargo de presidente honorário da federação.

Ainda assim…Sidat demonstrou total abertura em colaborar

Pese embora o pedido de adiamento da audição por parte do CJ, nomeadamente por não saber, até data (13 de Junho), que o antigo dirigente renunciou ao cargo de presidente honorário, Feizal Sidat demonstrou total abertura em colaborar com a FMF, desde que sejam cumpridos todos os passos legais para o esclarecimento do caso.

O antigo dirigente pediu, por isso, que o CJ envie, por escrito, todas as informações que precisa ver esclarecidas, visto que precisaria articular com os anteriores integrantes do seu elenco.

Até à entrada na principal sala de reuniões do edifício da Casa de Futebol, na Agostinho Neto, Sidat tão pouco sabia que era para esclarecer sobre a gestão de cerca de 27 milhões de meticais doados pela FIFA durante uma década.

Associados chamam a si a responsabilidade

O Dossiers & Factos procurou ouvir as associações provinciais a respeito deste caso e, com as duas que conseguiu manter contacto, os seus representantes – que pediram anonimato – asseguraram que desconhecem por completo o assunto que leva Feizal a ser ouvido pela federação.

Questionados sobre se os valores envolvidos no barulho não teriam sido objecto de avaliação na Assembleia Geral, uma das fontes começou por esclarecer que já lá passam dois anos (confirmar as datas exactas) federação não convoca uma assembleia-geral, local ideal para análise de assuntos desta natureza.

Adiante, a outra referiu que dada a incompetência do CJ em dirimir este caso, a FMF deveria urgentemente convocar uma assembleia-geral extraordinária para que sejam dados passos subsequentes e seguros como os de, por exemplo, se remeter o caso às estâncias judiciais. Até porque – referiu a fonte – a gestão dos 27 milhões referenciados no inquérito teria sido aprovada pela Assembleia Geral, único órgão da FMF competente para este efeito.

Simango quer processar Sidat por distribuir bolas

Ainda no prosseguimento da “guerra” entre Simango e Sidat, na véspera das eleições para a escolha de novos órgãos sociais da FMF, o Dossiês & Factos soube que Simango procura, por terra, ar e mar, abater Feizal Sidat, servindo-se da sua posição de principal  gestor do futebol nacional.

Conforme apurámos, Alberto Simango Júnior vai, nos próximos dias, iniciar um processo de inquérito que visa suspender Feizal Sidat de toda a actividade relacionada com o futebol, por este ter, em nome da Fundação Sidat, distribuído material desportivo ao longo do País. O objectivo é impedir que o antigo dirigente submeta a sua candidatura para regressar à Federação Moçambicana de Futebol.

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