Especialista portugues questiona o distanciamento de Filipe Nyusi em relação às vítimas do terrorismo

Trata-se de Fernando Jorge Cardoso, investigador do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE-IUL na área de temas africanos e do desenvolvimento, que concedeu uma entrevista recentemente sobre o terrorismo em Cabo Delgado.
Na entrevista, Fernando Jorge Cardoso defendeu a necessidade maior proximidade do poder em relação à população tendo em conta a dimensão do país e a distância entre o centro da acção e os centros de poder. “Se em março de 2019 ele (o Presidente da República) esteve um mês na cidade da Beira, que fica no centro de Moçambique, com vários ministros a comandar as operações de reconstrução e de resgate das vítimas (do ciclone IDAI), qual é a razão plausível para que o Presidente Filipe Nyusi, que nasceu em Cabo Delgado, em Mueda, que é maconde, qual é a razão para não ter estado ainda em Cabo Delgado?”, questionou Cardoso, conforme é citado pela RTP Notícias.
Na entrevista, disse entender, contudo, que a guerra não vai terminar em pouco tempo, mas diz que esperava uma postura diferente por parte do Chefe de Estado. “Enquanto Presidente da República, tem de estar junto das centenas de milhares de moçambicanos, refugiados, que estão a sofrer com tudo isto. Seria um acto político simbólico. A única justificação que consigo ver está relacionada com razões de segurança, com os militares e forças de segurança a dizerem ao Presidente que uma deslocação a Pemba não é segura. Não vejo mais nenhuma razão. De qualquer maneira, acho que é um erro político por parte do Presidente da República não o fazer, independentemente dos problemas de segurança que possam existir. A segurança cria-se”, defendeu.

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