“Estado deve colocar a dança no mesmo patamar que as outras áreas culturais” – Ilídio Jossai

Comemorou-se, recentemente, no mundo, o Dia Internacional da Dança, e o jornalista moçambicano Ilídio Jossai, assessor do grupo cultural “Arte e Dança”, considera que o Estado moçambicano deve criar condições para que a dança esteja no mesmo patamar com outras manifestações culturais do país.

Texto: Hélio de Carlos

A efeméride foi comemorada no passado mês de Abril, e o assessor do grupo cultural Arte e Dança, Ilídio Jossai, diz que, apesar de a indústria cultural moçambicana estar a atravessar um grande momento, a dança não tem recebido a devida atenção por parte do Governo, o que tem feito com que alguns bailarinos e outros fazedores da cultura desapareçam dos palcos.

Para Jossai, nos últimos tempos, a arte da dança tem sido o sustento de várias famílias. Aliás, olha para a dança como uma arte excelente e algo natural, sendo que, no panorama moçambicano, teve muita adesão de pessoas que anseiam praticá-la, mas entende que nem todos percebem ou sabem captar a mensagem que ela pretende transmitir, isto porque as pessoas preocupam-se apenas com a movimentação corporal. De acordo com Jossai, a dança não se limita apenas a esse aspecto, porque a mesma pode educar e informar.

O nosso interlocutor diz ser difícil a descodificação da mensagem ou informação que se pretende transmitir através da dança, daí as razões que tornam esta arte uma das áreas culturais com difícil angariação de espectadores, o que permite que surja maior número de fazedores de teatro, música, pois são as mais fáceis de serem percebidas.

“Noutros países, a dança é tida como uma base de ensino, o que faz com que as pessoas tenham noções básicas sobre a mesma, e isso é o contrário do que acontece no país. Aqui, se um indivíduo quiser ter a noção básica de arte, deve ir à escola de artes”, explicou a fonte, para depois defender que as escolas devem implementar aulas de noções básicas da dança, para que a sociedade perceba ou tenha fácil compreensão do bailado.

Num outro desenvolvimento, a fonte disse à nossa equipa de reportagem que a dança deve ser colocada no mesmo patamar que as outras áreas culturais, pois o que vai definir o nível de cada uma será o gabarito que estas possuem.

Dançarinos nacionais investem numa carreira internacional onde têm mais aceitação

Jossai defende que falta ao povo moçambicano um pouco mais de valorização da dança, para que seja vista como uma profissão.

‘‘O Governo não dá a devida atenção a esta actividade, o que ao longo do tempo resulta em desistência de alguns grupos, outros separam-se e abraçam a parte da música. Outros fazem o acompanhamento das duas actividades, isto porque muitos dançarinos sentem que a actividade e ou a arte por eles praticada não está a ser devidamente valorizada’’, frisou Jossai, para de seguida acrescentar que um dos motivos que faz com que a dança não tenha muita aceitação no país é a pobreza, sendo que hoje em dia há pessoas que pensam que esta não faz muita diferença nas suas vidas. Por isso muitos grupos de dança, hoje em dia, optam em investir ao nível internacional, onde têm tido muita aceitação. 

Jossai refere que, com a evolução tecnológica e com o mundo cada vez mais modernizado, a dança também tem aparecido a modernizar-se, sendo que nos últimos anos os praticantes da dança têm estado a cumprir o seu papel, que é o de comunicar, educar e formar o cidadão, através dos diversos tipos de dança, no entanto, a maior dificuldade tem sido a questão da percepção, o que fez com que muitos bailarinos fizessem uma junção entre a dança e outras actividades, para melhor serem percebidos.

“A indústria cultural é de se aplaudir”

Durante a entrevista, Jossai esclareceu que a indústria cultural no país, em todas as áreas de actuação, deve ser aplaudida, todos estão a trabalhar e a desempenhar suas funções.

Jossai considera igualmente que a evolução tecnológica tem influenciado nesse crescimento, fazendo com que algumas dessas áreas possam ser independentes.

Segundo Jossai, são várias as áreas culturais que criam uma espécie de cordão umbilical do nosso país com o exterior, uma vez que “hoje em dia já não é a política que faz conhecer Moçambique, mas sim a cultura.

No entender de Jossai, a indústria cultural “disparou” e já não tem limites, porque antigamente era muito difícil viver da arte, mas hoje em dia não.

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