Ex-deputado da RENAMO detido por indícios de apoio a guerrilheiros

 

Sandura Ambrósio, um ex-deputado da Resistência Nacional Moçambicano (RENAMO), principal partido da oposição, foi detido pela polícia por indícios de envolvimento no apoio a guerrilheiros dissidentes do partido, acusados pelas autoridades de ataques armados.

“O cidadão Sandura Ambrósio está detido por mandado judicial, é indiciado num crime de conspiração”, afirmou a agência LUSA o chefe do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) da província de Sofala, Mário Tamele.

Sandura Ambrósio foi preso com base em dados recolhidos no âmbito da investigação que o SERNIC está a levar a cabo aos ataques armados que afetam alguns troços de estradas do centro do país.

“É um crime de conspiração que inclui actos preparatórios e recrutamento”, declarou Mário Tamele, escusando-se depois de entrar em pormenores sobre o caso.

Sandura Ambrósio foi deputado da RENAMO no mandato que terminou na segunda-feira, mas abandonou o partido em 2019 para se filiar ao Movimento Democrático de Moçambique (MDM), terceiro maior partido com representação parlamentar.

Concorreu a mais um mandato nas eleições legislativas de 15 de outubro do ano passado pelo MDM no círculo eleitoral de Sofala, mas não conseguiu a reeleição.

No dia 8 deste mês, a Procuradoria-Geral da República interrogou a então chefe da bancada da RENAMO, Ivone Soares, o porta-voz do partido, José Manteigas, e o deputado António Muchanga no âmbito dos ataques no centro do país.

Os três e o antigo secretário-geral da RENAMO António Bissopo foram apontados por um alegado grupo de seis homens detidos pela polícia como estando envolvidos no apoio à Junta Militar da RENAMO – algo que desmentiram.

Em causa estão os ataques que se têm registado nas estradas nacionais 01 e 06, nas províncias de Manica e Sofala, incursões que já provocaram 21 mortos e têm sido atribuídos à autoproclamada Junta Militar da RENAMO, um grupo de guerrilheiros dissidentes do partido que exige a renegociação do acordo de paz assinado a 6 de agosto e a demissão do atual líder Ossufo Momade.

Oficialmente, a RENAMO tem-se afastado de qualquer ligação com o grupo, classificando-o como desertor.

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