Exemplos que nos conduzem à necessidade de segurança

Nos últimos dias, a sociedade moçambicana está sendo “agredida” por notícias tristes, que certamente preocupam a todos.

Recentemente, Reinildo Mandava, jogador de futebol que se sagrou campeão no campeonato francês da primeira liga, sofreu um atentado quando viajava para o interior da província da Zambézia, zona centro do país. Felizmente, para além dos danos materiais causados à viatura na qual ele seguia, não houve danos humanos, senão morais.

Uma semana depois, o país recebia uma outra notícia triste. A morte de Francisco Simões, Comandante da PRM ao nível da província de Manica, vítima de acidente de viação do tipo choque entre viaturas, sendo que a que ele conduzia sofreu maiores danos, que lhe causaram ferimentos graves e consequente morte imediata, à semelhança da sua companheira de viagem.

Mas, para além destas notícias tão frescas e dolorosas, existem vários outros casos que podemos aqui recordar, como, por exemplo, o atentado contra o presidente da CTA, Agostinho Vuma, o rapto a uma gama de empresários, todos em situação de ausência quase total de protecção.

Ora, percorrendo cada caso, e começando pelo do nosso atleta e craque Reinildo Mandava, podemos apontar que faltou atenção ou assessoria para aspectos de segurança, olhando para o nível futebolístico (estrelato) que ele atingiu na carreira. Mandava tinha duas ou mais alternativas para a sua segurança no decurso da viagem que efectuava, que não só era longa, mas também era feita fora do perímetro da cidade da Beira, que presumimos que seja do seu domínio.

A primeira alternativa, que até pode ser considerada um dever, era ter alguém que o conduzisse e eventualmente mais um elemento que pudesse garantir sua segurança pessoal, tendo em conta a situação criminal que o país vive nos últimos tempos. Reinildo tinha como outra opção viajar de avião até Quelimane, sendo que também lá seria recomendável ter segurança e viatura, ainda que alugada, com direito a motorista.

Não pretendo, com isso, dizer que com segurança(s) e motorista não haveria espaço para aquele atentado. Estou, sim, a afirmar que, com segurança garantida, eventualmente o episódio seria outro, decorrente da atenção que um segurança especializado tem na prevenção de atentados.

Para o caso do malogrado comandante da PRM, infelizmente, sem pretender julgá-lo, até porque tal não se faz aos mortos, há que dizer que este acidente nos leva a inúmeras questões. Por exemplo, porque razão o ora oficial superior da PRM teve de viajar conduzindo pessoalmente e, acima de tudo, sem o seu motorista e respectivo ADC? Para o caso em concreto, foi acidente de viação, que até é normal acontecer com qualquer um que se faz à via pública, mas podia se dar o caso de ter sido atacado por bandidos.

Ainda com relação a este caso, recentemente, o Comando-Geral da PRM, através do Comando da Força de Protecção de Altas Individualidades (FPAI), instou os seus comandos operativos a reforçarem as medidas de segurança dos dirigentes de topo a todos os níveis. Estranhamente, o malogrado comandante não observou este princípio. Diz-se na gíria popular que não se foge do destino. Mas, de certeza, o motorista do comandante não conduziria à velocidade extrema a que este vinha, na altura do fatídico acidente. Aconteceu!

O mesmo tipo de falta de atenção houve aquando do atentado contra Agostinho Vuma, que, segundo foi relatado, estava sem os seus ADCs, mesmo ciente dos perigos que lhe seguiam. Dos empresários raptados, que são vários, assinala-se a ocasional falta de protecção, que é aproveitada pelos criminosos.

Fica aqui a chamada de atenção para que as nossas figuras, sejam elas do sector político, empresarial ou da sociedade civil, invistam muito no aspecto segurança e respeitem as normas e estratégias de protecção que lhes são transmitidas. Serôdio Towo

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