Exploração sexual de reclusas em Ndlavela: SERNAP e Ministério da Justiça “obstruem” trabalho de jornalistas

Se dúvidas havia de que a visita da Ministra da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos ao Estabelecimento Penitenciário Especial para Mulheres de Maputo, com vista a apurar a veracidade dos factos relatados pelo Centro de Integridade Pública (CIP), ia “parir um rato”, estas foram desfeitas na manhã de ontem.

Esta quarta-feira, “Carta” esteve na antiga Cadeia Feminina de Ndlavela com o objectivo de acompanhar, in loco, a visita efectuada por Helena Kida àquele estabelecimento penitenciário, 24 horas depois de o CIP ter denunciado casos de exploração sexual naquele local.

De acordo com o comunicado de imprensa partilhado pelo Ministério da Justiça, a visita de Helena Kida estava agendada para as 10:00 horas, pelo que, até às 9:00 horas, a nossa reportagem estava posicionada naquele local. Porém, até às 12:05 horas, os jornalistas não sabiam do paradeiro da governante.

Informações colhidas no local indicam que a governante preferiu antecipar-se aos jornalistas, chegando ao local às 08:00 horas. Longe dos jornalistas e dos holofotes, Kida reuniu-se com a direcção da Cadeia, do Serviço Nacional Penitenciário (SERNAP) e com as reclusas. Não se sabe o que foi discutido e nem há imagens captadas desta reunião.

Quando eram 12:05 horas, os cerca de 40 jornalistas que se encontravam no local foram convocados para uma conferência de imprensa, numa sala previamente praparada. Incrédulos, estes questionaram de que evento se tratava, pois, ainda aguardavam a chegada da titular da pasta da justiça para iniciar a sua jornada.

“A Ministra chegou às 08:00 horas e já terminamos a reunião”, respondeu um dos elementos da comitiva de Helena Kida, antes da governante irromper a sala para tecer alguns comentários.

“Nós estamos aqui, hoje, em resultado de um trabalho efectuado pelo CIP, que foi de investigação jornalística, e que nos deu informações que ficamos a saber, desde ontem, de estar a acontecer, neste estabelecimento penitenciário, acções de exploração sexual”, começou por dizer a fonte.

Após a conferência de imprensa, o SERNAP chamou os jornalistas para uma sala, onde estes, alegadamente, iam conversar com algumas reclusas. Chegados à sala, o SERNAP até perguntou as reclusas se queriam interagir com os profissionais da comunicação social e mais de uma dezena prontificaram-se a partilhar as suas estórias.

Entretanto, não passou de uma simulação mal ensaiada. Pouco tempo depois, alguns elementos da comitiva de Helena Kida irromperam na sala e pediram alguns “minutos de concertação” com as reclusas. Ninguém sabe o que o SERNAP e o Ministério da Justiça queriam concertar com as reclusas. O facto é que os jornalistas se aborreceram com o tratamento e abandonaram o local. (Marta Afonso)

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