Faltando três meses para eleições: Moçambique um país, mil incertezas

  • Cenário poderá levar a abstenções massivas

Apesar do recente anúncio de um investimento de mais de 23 biliões de dólares pelo principal player do projecto de exploração de gás, na área 1 da bacia do Rovuma, Anadarko, o que permitirá Moçambique captar pouco mais de 2.1 biliões para o PIB por ano, o país contínua mergulhado num mar de incertezas, numa altura em que faltam exactos três meses para as eleições presidenciais, legislativas e provinciais de 15 de Outubro próximo.

 Texto: Reginaldo Tchambule e Lídia Cossa

Desde a descoberta das duas últimas das três dívidas ilegais, em 2016, o país está a atravessar momentos difíceis em todas as vertentes, ou seja, social, económica e política.

Com o corte da ajuda externa por parte de alguns dos mais significativos parceitros de apoio programáticos, o país mergulhou numa crise sem precedentes na história recente, o que degradou ainda mais o nível de vida, sobretudo dos mais carenciados.

O atraso no processo de Desarmamento Desmobilização e Reintegração dos Homens Armados da Renamo, a falta de uma paz efectiva e a dificuldade das Forças de Defesa e Segurança controlar os ataques armados perpetrados por insurgentes nalgumas regiões em Cabo Delgado, são uma ameaça constante à estabilidade do país.

Os eventos climatéricos extremos, com destaque para os ciclones Idai e Keneth, que devastaram e inundaram algumas regiões no centro e norte do país, num contexto em que a zona sul do país mantém-se sobre influência do El Nino, desestabilizaram, de certa forma a economia doméstica dos moçambicanos.

A isso acresce-se o elevado custo de vida, a insustentabilidade do braço empresarial do Estado, ou seja, as empresas públicas, que estão quase todas com contas no vermelho. Esses factores aumentam as incertezas e o nível de confiança dos moçambicanos num futuro risonho, com o condão de ser um ano eleitoral.

“Não há nada positivo, simplesmente inseguranças, dúvidas e instabilidades”

Para o analista político Alberto Manhique, o actual cenário político, social e económico do país aspira muitas incertezas ao cidadão porque em todos os sentidos não há acontecimentos positivos, simplesmente inseguranças, dúvidas e instabilidades.

Manhique é da opinião de que a única forma de melhorar a situação desordenada em que o país se encontra é mudando a forma de governação e aponta uma receita um pouco ousada: “Mudar os dirigentes do país seria a forma mais acertada de se resolver um pouco de todas as preocupações que o povo moçambicano se depara”, repara.

“O país está numa situação crítica. Os cidadãos vivem nas incertezas, ninguém mais espera que um dia aconteça algo melhor. Por isso, a única forma que se pode encontrar para melhorar um pouco, seria uma nova filosofia de governação”, disse.

Mas a sua visão esbarra numa tendência que segundo ele poderá verificar-se ou imperar nestas eleições. É que no seu entender, a maior parte das pessoas que aspiram mudança são na sua maioria jovens que frustrados com a governação actual, simplesmente não vota, o que deixa antever um cenário de abstenções massivas nas eleições de 15 de Outubro.

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