“Fisiculturismo moçambicano carece de patrocínio”- Bruno Saraiva

Quase um ano depois de vencer três categorias de fisiculturismo na China, o jovem desportista Bruno Saraiva afirma que há falta de patrocínio para os fazedores da modalidade, e salienta que, apesar de tratar-se de um novo desporto no país, tem aceitação por parte do público.

 Texto: Hélio de Carlos

Bruno Saraiva começou a praticar desporto com as artes marciais, mas encontrou a consagração no fisiculturismo, modalidade na qual é hoje tido como um dos maiores nomes.

Em entrevista ao Dossiers & Factos, Saraiva conta que sempre procurou conciliar as duas modalidades, mas acabou encontrando “química perfeita” com o fisiculturismo.

O jovem fisiculturista moçambicano entende que, apesar de se tratar de uma nova modalidade desportiva, nos últimos tempos, pessoas de diferentes idades têm a abraçado, seja como estilo de vida, bem como de forma profissional.

Saraiva entende, porém, que apesar da aceitação do público, que tem respondido de uma forma positiva, há necessidade de intensificar a apreciação dos desfiles de músculos no país.

Para o nosso interlocutor, o desporto dos “músculos” tem vindo a ganhar cada vez mais espaço e muito mais “adeptos” no país, porém, destaca a falta de patrocínio para os desportistas como um dos principais entraves.

O desportista repisa, por exemplo, que quando há campeonatos internacionais e nacionais, os atletas são obrigados a recorrer a fundos próprios para a logística, por falta de patrocínio, por um lado, e apoio do Governo, por outro, mas acredita que é uma situação normal, por se tratar de uma actividade recentemente conhecida em Moçambique.

Saraiva afirma que no estágio inicial em que a modalidade se encontra, o nível de competições é satisfatório, mesmo não havendo muitos torneios internamente.

De acordo com Saraiva, os fisiculturistas, para trazer mais experiência aos campeonatos nacionais, têm viajado pelo mundo fora, como estratégia para melhorar o fisiculturismo moçambicano, visto que os países de fora já têm mais história na modalidade e exigem mais dos atletas.

“Faltam empresários que acreditem e apostem neste desporto”

Bastante rodado internacionalmente, Saraiva defende que os empresários e marcas nacionais devem apostar mais no desporto, tal como acontece noutras rodagens.

Olhando particularmente para a modalidade que move o seu coração, Saraiva fala da necessidade de se investir nos fisiculturistas, e deixa um repto aos atletas da sua modalidade, para deixarem as desavenças e serem unidos. “Falta união entre os fisiculturistas, há uma rivalidade sobre quem é melhor que o outro”, observou.

Moçambicanos capacitados para espreitar outras janelas

Há sensivelmente um ano, Saraiva viajou até a China, concretamente em Hong Kong, onde fez a sua primeira aparição contra vários outros profissionais do mundo, tendo feito a Bandeira Moçambicana subir ao pódio, arrebatando três prémios, nas categorias em que concorreu, sendo o principal prémio o ‘‘Classic Physique’’.

No entender do nosso entrevistado, ganhar os prémios prova que os moçambicanos estão capacitados a espreitar outras janelas e mostrar que têm um corpo perfeito para ganhar dos outros.

 ‘‘Foi uma competição que envolveu pessoas de quase todo o mundo, e ter sido o moçambicano, a ‘carregar’ o prémio foi algo único e motivador. Isso prova que estamos capacitados para competir com os grandes, apenas temos que trabalhar’’, referiu, para depois considerar que existe o lado bom, mas também o mau, porque existem pessoas que olham como algo não normal tirar fotos de biquíni, pelo que atribuem nomes não abonatórios.

Durante a conversa, Saraiva revelou ao Dossiers & Factos que o fisiculturismo é uma modalidade que pode ser praticada por qualquer pessoa, incluindo cadeirantes ou com outras deficiências.

Revelações de Saraiva mostram que as pessoas, quando viam fisiculturistas, achavam que se tratava de pessoas que não têm flexibilidade, mas que hoje em dia a visão e a narrativa são diferentes.

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