Fraco poder de compra gera “percepção” de redução do custo de vida em Maio

 

Os moçambicanos tiveram uma vida mais leve no mês de Maio, porque os preços de alguns produtos básicos diminuíram, graças a uma deflação mensal de 0.6 por cento, sendo que a cidade da Beira foi a que verificou a descida mais acentuada. Os dados foram tornados públicos recentemente, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). No entanto, o Centro para o Democracia e Desenvolvimento (CDD) considera que a deflação não resulta de um excesso de oferta de produtos no mercado, mas da escassez de procura em consequência da deterioração do poder de compra das famílias

Texto: Arão Nualane

O INE relata que o custo de vida em Moçambique desacelerou no mês de Maio último, porque houve o registo de uma deflação mensal de 0,60 por cento.

A instituição destaca as cidades da Beira e de Maputo como as que os preços para a compra dos produtos e alguns serviços foram as mais acessíveis no último no mês no país, uma vez que tiveram uma descida geral dos preços na “casa”dos 1,57% e 0,79% negativos.

Já Nampula foi a província mais cara, tendo atingido uma inflação de 0,47%, conforme dados avançados pelo órgão responsável pela estatística no país.

No seu todo, segundo números fornecidos pelo INE, comparando o mês de Abril e Maio, registou-se uma deflação com o custo de vida a desacelerar em 0,60% negativos.

As informações do INE apontam para as divisões de educação, alimentação e bebidas não alcoólicas, como aquelas que foram as de maior destaque, uma vez terem contribuído no total da deflação mensal, com cerca de 0,32 e 0,23 pontos percentuais negativos.

Ainda de acordo com o INE, destaca-se a queda de preços do tomate em 14,2%, ensino primário particular (24,6%), gasolina (2%), ensino superior particular (14,3%), creches e infantários particulares (30,1%), alface (13,3%) e do ensino secundário do 1º ciclo particular (14,9%).

Referir também que o INE afirma que alguns produtos, com destaque para os veículos automóveis ligeiros novos (5,7%), açúcar castanho (11,5%), cebola (6,5%), óleo alimentar (3,4%), arroz em grão (1,7%), veículos automóveis ligeiros em segunda mão (0,9%) e o peixe fresco (0,8%), contrariaram a tendência de queda, porque contribuírem com cerca de 0,39 pontos percentuais positivos.

Deflação “esconde” realidade contínua do custo de vida

O posicionamento e os números apresentados pelo INE trazem controvérsia naquilo que diz respeito ao que acontece no terreno. Por exemplo, o Centro para o Democracia e Desenvolvimento (CDD) considera que a actualização da evolução do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), em causa, apesar de não haver razões para duvidar da cientificidade metodológica que permitiu alcançar o resultado, a deflação não resulta de um excesso de oferta de produtos no mercado, mas da escassez de procura em consequência da deterioração do poder de compra das famílias, principalmente as de baixo rendimento.

Para o CDD, com a crise causada pela Covid-19, verifica-se o encerramento das fronteiras e consequente limitação do comércio internacional, crescente aumento do número de trabalhadores que vão ao desemprego, principalmente as de pequena e média dimensão, que são intensivas em mão-de-obra, e a paralisação do sector informal da economia, onde advém a maior parte do sustento das famílias de baixo rendimento.

De acordo com o CDD, estes factores são agravados pela ausência de uma política económica para o financiamento à economia e implementação de programas de protecção social às famílias vulneráveis.

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