Frelimo “mamou” mais de 10 milhões de dólares das dívidas ocultas

– Acusa FBI em sede do julgamento de Jean Boustani nos EUA

 

O partido Frelimo foi citado, esta segunda-feira, no Tribunal de Nova York, em sede do julgamento do gestor da Privinvest, Jean Boustani, como tendo recebido parte do dinheiro dos subornos ligados às dívidas ocultas.

De acordo com o Bolentim do Centro de Integridade Pública (CIP), que está a fazer um acompanhamento integral do julgamento, tendo inclusive um enviado especial a Nova York, pelo menos 10 milhões de dólares foram transferidos para conta do Comité Central do partido Frelimo domiciliada no Banco Internacional de Moçambique (millennium bim) em Maputo, em quatro transacções realizadas nos meses de Março a Julho de 2014.

As transferência foram efectuadas da conta de uma empresa denominada subsidiária da Privinvest, a Logistics International S.A.L (off shore), domiciliada no Gulf First Bank Abu Dhabi, passando de Nova York, nos EUA, escreve o CIP.

Esta informação foi revelada segunda-feira (ontem) pelo agente do FBI, Jonathan Polonitza, no décimo dia de julgamento de Jean Boustani, o executivo da Privinvest e cérebro das dívidas ocultas.

Jonathan Polonitza esteve no Tribunal de Brooklyn, na sexta-feira (25/10) e segunda-feira (28/10) a apresentar evidências de pagamentos ilícitos a personalidades da elite política moçambicana no âmbito do financiamento dos projectos da EMATUM, ProIndicus e MAM.

De acordo com Foram apresentadas centenas de cópias de mensagens trocadas entre os arguidos do caso e outros cidadãos, sendo os principais actores o libanês executivo da Privinvest Jean Boustani, o neozelandês antigo diretor da Credit Suisse, Andrew Pearse e os moçambicanos Teófilo Nhangumele, António Carlos do Rosário, Armando Ndambi Guebuza.

 

USD 10 milhões para Frelimo em ano eleitoral

No calor da eleição que conduziu Filipe Nyusi ao seu primeiro mandato na presidência da República, a Frelimo recebeu 10 milhões de dólares transferidos da Privinvest. As transferências foram parceladas da seguinte forma:

– dia 31 de Março de 2014 – 2 milhões de dólares (GX-2867-D)

– dia 29 de maio de 2014 – 3 milhões de dólares; (GX-2867-C)

– dia 19 de Junho de 2014 – 2,5 milhões de dólares (GX-2867-B)

– dia 03 de Julho de 2014 – 2,5 milhões de dólares (GX-2867-A)

Os comprovativos de transferências (Swift) foram interceptados por agentes do FBI a partir de uma mensagem de correio electrónico enviada por Jean Boustani para Manuel Jorge (que o CIP suspõe ser Tomé) no dia 9 de abril de 2015 cujo assunto é FYI (para o teu conhecimento na sigla em Inglês). No corpo da mensagem, Boustani escreveu apenas “MMMMMM”.

De resto não é a primeira vez que o partido no poder é citado como tendo sido beneficiário de dinheiro ligado a escandalos de corupção. No caso Aeroportos de Moçambique, gestores séniores daquela empresa pública afirmaram em sede do julgamento que o dinheiro foi canalizado para a construção da Escola Central do Partido, na Matola.

Muito recentemente, a antiga ministra do Trabalho, Maria Helena Taipo, detida em conexão com um caso de desvio de dinheiro do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), revelou que recebeu mais de 100 milhões, supostamente em subornos, sob ordens do partido no poder para apoiar a campanha eleitoral. CIP/Redacção

Mais  Destaques

Scroll to top
Skip to content