GM Record and Services: Um império que desafia a covid-19

 

Num ano em que muitas empresas baixaram de rendimento devido a pandemia do coronavírus, a GM Record & Services conseguiu manter-se na linha de crescimento, alcançado resultados ainda melhores que os dos anos anteriores. A produtora já ultrapassou a marca dos 50 discos editados, que era a meta para 2020. Mas ainda vem mais, como garantiu o respectivo imperador, Sidney Mavie, ou simplesmente Dj Sidney, como é conhecido nos corredores do hip hop.

Texto: Amad Canda

Foto: Albino Mahumana

A cultura hip hop vive momentos áureos em Moçambique, pelo menos no que ao lançamento de discos diz respeito. Ao contrário do que acontecia outrora, sucedem-se lançamentos de álbums, Extended Plays (EP’s) e Mixtapes. Se o hip hop fosse considerado uma cultura proibida por lei, Dj Sidney seria, com toda a certeza, o maior criminoso do país, porquanto autor material – e em alguns casos até intelectual – do crime de lançamento de trabalhos discográficos.

“Agora estamos a dar bacela”

Só no presente ano, o empresário editou, através da sua GM Record & Services, mais de cinquenta discos, estando já ultrapassada a meta estabelecida. Em uma época particularmente conturbada por conta da covid-19, e em que quase todas as estruturas da sociedade ficaram abaladas, a GM Record & Services vai se mostrando um império cada vez mais consolidado, não obstante a sua curta existência no mercado de produção de CD’S.

A marca dos cinquenta discos foi alcançada a 10 de Novembro, com o lançamento do disco de do rapper da MLG (Malanga), Bob Sam, mas, recentemente, ainda saiu as ruas o disco “Revolução Cultural”, do rapper Kloro “Killa”. Atingida a meta estabelecida no plano anual, “agora estamos a dar bacela”, diz, em tom de satisfação, o imperador da GM. Sem avançar nome, Dj Sidney garantiu que sai ainda dentro deste ano um projecto de um dos maiores rappers do país.

Os bons resultados da produtora, que se estreou oficialmente em 2017, com o lançamento do álbum “a kaya” do mítico duo “Xitiku Ni Mbaula”, não são de agora, conforme atestam os números dos anos anteriores. “Em 2018 conseguimos chegar aos 21 álbuns, mas a meta era 20. No ano seguinte, a ideia era ir até 30, mas conseguimos fechar com 35”.

“Estamos a fazer agora o que devíamos ter feito há anos”

Entre os trabalhos discográficos lançados este ano sob chancela da GM Record & Services, há uma miscelânea de gerações. Se, por um lado, temos “ovos de ouro” do new comer Konfuzo, por outro encontramos o “agora ou nunca” do grupo DRP, que já tem longos anos de estrada. Mais atrás, encontramos, por exemplo, o álbum do Xitiku ni Mabaula, lançado em 2017, apenas o primeiro de uma carreira de mais de 15 anos. Tal como o duo dos arredores da cidade da Matola (Patrice Lumumba e Singathela), muitos dos que fazem parte da primeira vaga de mc’s nacionais só agora parecem mesmo interessados em editar CD’s, situação que, na opinião do imperador da GM, atrasou o crescimento do rap em Moçambique. “Se olharmos para trás, este número de álbuns, por exemplo, se tivesse sido lançado na época em que comecei a fazer rap, o crescimento seria automático, as gerações mais novas encontravam alguma coisa feita e davam continuidade”.

Apesar disso, Dj Sidney, acredita que as bases para a profissionalização do rap nacional começam a ser criadas, “uma vez que temos, por exemplo, Azagaia, Duas Caras e Kloro a mostrarem uma produção de espectáculos a um nível alto”. Para o imperador, as questões que se colocam agora são “quem é que faz o rescaldo dos álbuns, que faz a distribuição, quem paga a produção? ”. Só uma resposta cabal a estas perguntas, defende Dj Sidney, nos vai permitir ascender aos patamares desejados.

Uma das figuras mais relevantes do movimento hip hop local, Sidney Mavie é autor do projecto  “Compromisso com as ruas vol.1”, inteiramente produzido por Proofless. A compilação resgata alguns dos nomes mais sonantes do rap nacional e que, por diversas razões, andam afastados do estúdio e dos palcos. São os casos de Izlo H (ex-integrante da extinta Squad Boss) ou Escudo, companheiro de Azagaia em tempos da Dinastia Bantu. O Dj espera ter contribuído para provocar, nestes e noutros rappers que desapareceram do radar, a vontade de voltar a “cuspir”, como sói dizer-se na gíria “hipopística”.

Para o ano, está em perspectiva o lançamento de uma compilação 100% feminina, desta feita com produção exclusiva da beatmaker Carina Houston, da cidade da Beira. A obra deverá ser lançada em Abril do próximo ano, em jeito de tributo a mulher moçambicana.

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