“Governo aguarda o extermínio toda população de Cabo Delgado para resolver a situação”

 

O Presidente da Renamo, Ossufo Momade condena a recente comunicação do Presidente da República, Filipe Nyusi no âmbito do estado de Calamidade Pública para a contenção da propagação da Covid-19. Momade afirmou que o Presidente da República fez vista grossa aos horrores que estão a acontecer em Cabo Delgado, simplesmente optou pelo silêncio quando todos aguardavam uma palavra de esperança.

O líder do maior partido da oposição afirmou que “nós a RENAMO condenamos esta maneira de secundarizar a vida dos Cidadãos e o sofrimento do nosso povo. Esta minimização das mortes em Palma leva os moçambicanos a questionar o Governo se, para acudir a situação de Cabo Delgado, vai depender do extermínio de toda a população daquela província”.

Ossufo Momade considera que num país normal e funcional, basta só a morte de um cidadão para o Governo accionar todos os mecanismos de protecção e segurança de cidadãos e infra-estruturas.

“Lamentamos que a mensagem do Presidente da República tenha sido pouco conveniente num momento em que estamos a perder centenas de vidas humanas e milhares de concidadãos deslocados e outros à deriva que precisam de assistência humanitária e maior consolação. É com estranheza que aos nossos olhos é dado a conhecer que o Governo preocupa-se e está mais focado ao projecto de exploração de gás em detrimento da vida das nossas populações”, atirou.

Momade não tem dúvidas que para o Governo o que conta no final do dia é o lucro, e o cidadão vem em segundo plano. “Sinal disso, foi a não preferência destas populações, logo na primeira hora, o que revela que nas contas do Governo, o cidadão pacato não conta, apenas o que conta é o lucro, o dinheiro, gesto pouco digno e contrário ao princípio de servir aos moçambicanos que são tidos como patrão”.

O Líder da Renamo falou ainda da escassez de informação que chega de Cabo Delgado. “Em Pemba não há um centro de acomodação com condições aceitáveis, o que origina acolhimento de mais de 50 pessoas em residências com espaços extremamente pequenos e sem condições de higiene”, lamentou.

Denunciou o facto de haver oportunismo em todos os momentos no seio dos que dirigem o país. “Como é prática deste regime, o actual momento de carência e desespero das nossas populações, na distribuição dos poucos apoios há oportunismo que consiste no alistamento de falsos deslocados que beneficiam-se dos tais apoios, em detrimento dos verdadeiros necessitados”.

“O Governo deve focar-se na identificação dos autores desta guerra”

Para além disso, segundo Ossufo Momade assiste-se o Governo através de altas patentes das FDS a proferir discursos triunfalistas e incoerentes, como “expulsamos, rebatemos e temos controlo da situação”.

“Sem dúvidas estes são discursos inconsistentes e modelos desqualificados faz muito tempo, porque o povo continua a morrer e pede socorro. O Governo, na pessoa do Comandante-chefe deve focar-se na identificação dos autores desta guerra e adoptar métodos e estratégias militares mais adequados para o combate aos insurgentes, que parece ter apadrinhamento interno, a avaliar pela forma como começou esta guerra e a maneira estranha como foram negligenciadas as informações de alerta, logo em 2017”, destacou.

Para o Líder da Renamo, a ocupação de vários distritos de Cabo Delgado e os avanços progressivos dos insurgentes deixam as populações e o país inteiro numa grande insegurança e fica cada vez mais claro que há grandes fragilidades no seio das Forças de Defesa e Segurança.

“Agora aventa-se, que esta guerra pode atingir Niassa e Nampula. Os moçambicanos esperam que, o Serviço de Informação e Segurança do Estado esteja em condições de descobrir os planos dos insurgentes perante essas ameaças. Em defesa da vida das populações entendemos que, sem orgulho, o Governo deve solicitar o apoio da Comunidade Internacional para de forma legal e aberta apoiar Moçambique no combate a estes terroristas”, sustentou.

Para a Renamo recrutar mercenários seja a que pretexto, só vai agravar a situação de insegurança e a vulnerabilidade da soberania nacional. Para aquele partido da oposição solicitar apoio internacional será aliviar o sacrifício dos militares jovens recém- recrutados que estão a pagar com a sua própria vida o preço desta guerra, sem saber por que estão a lutar.

“O nosso país e a nossa soberania estão a ser vítimas de uma guerra movida por pessoas que infelizmente, o Governo, desde 2017, supostamente está incapaz e impotente de identificar o rosto e os mandantes dos insurgentes que estão a assassinar de forma cruel e desumana os cidadãos, obrigam milhares de concidadãos a se deslocar para parte incerta e destroem infraestruturas públicas e privadas na província de Cabo Delgado. Queremos mais uma vez, endereçar os nossos sentimentos de pesar a todas as famílias daquele ponto do país que perderam os seus ente queridos, vítimas desta guerra”, lamentou Momade.

Ossufo Momade afirmou ainda que a situação de Cabo Delgado nos remete a uma profunda reflexão sobre como o Governo tem protegido a soberania territorial e a vida da pessoa humana, que é o melhor de Moçambique.

“É certo que o nosso Estado é suportado pelos impostos, por isso tem o dever e a obrigação de criar a todo o momento as melhores condições de vida e bem-estar das populações”, afirmou, justificando com o numero 1 do artigo 40 da Constituição da República de Moçambique que determina que “todo o cidadão tem direito à vida e a integridade física e moral”, por outro lado, o nº1 do artigo 59 também da Constituição estabelece que “todos têm direito à segurança”.

De acordo com Momade a situação dramática de guerra que se vive na província de Cabo Delgado, mais agravada pelos ataques no distrito de Palma demonstra que o Governo nunca criou as condições necessárias para proteger o país.

Até porque, basta observar que a costa marítima não tem nenhuma protecção e a Força da Marinha não tem equipamento capaz de fiscalizar e controlar qualquer entrada e saída de barcos e navios.

Por outro lado, aquele General afirmou que “a nossa Força Aérea, do que se saiba é outro Ramo do Exército que é apenas nome, porque não tem quaisquer meios para acudir qualquer invasão. Fica claro que nestes longos anos de independência o Governo nunca priorizou a formação de um Exército a altura de qualquer ameaça à soberania nacional.

Pior, muito recentemente o regime levou o país a um abismo de dívidas, alegadamente para apetrechar as Forças de Defesa e Segurança que culminou com o roubo de dois biliões e duzentos milhões de dólares norte americanos aos moçambicanos, através da EMATUM, MAM e Proíndicus que foram uma autêntica burla”.

Na visão da Renamo, as Forças de Defesa e Segurança só são fortes para violentar população inocente por reivindicar seus direitos.

“A má lembrança da nossa memória colectiva é a bravura e violência da Força de Intervenção Rápida, actual Unidade de Intervenção Rápida que actua com grande moral combativa, armada até aos dentes, incluindo carros blindados e com capacidade de atirar mortalmente contra cidadãos civis e indefesos nas zonas urbanas e rurais, apenas por reivindicarem os seus direitos. Hoje, não se vê essa tenacidade e capacidade bélico-militar no seio das Forças de Defesa e Segurança. Caso para dizer, estas Forças são fortes apenas para violentar as nossas populações. Não pretendemos politizar as mortes dos nossos irmãos, filhos, mães e pais, simplesmente queremos alertar aos governantes para não tapar o sol com a peneira”, destacou.

“Perante este cenário de autêntica chacina humana, aliada à apatia e inoperância das Forças de Defesa e Segurança, os moçambicanos estão chocados e apreensivos, por isso perguntam: Será que existe Governo neste país? Como é possível perante um autêntico massacre em Palma, o Comandante-chefe das FDS, aquele que jurou defender os direitos humanos e o bem-estar do povo moçambicano vir dizer ‘não foi o maior que tantos outros’? Os moçambicanos aguardavam que o Presidente da República na sua comunicação a nação falasse sobre os ataques, assassinatos e assistência humanitária as populações daquele ponto do país”, sublinhou.

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