Igreja católica proíbe material de campanha na visita do Papa

A Conferência Episcopal de Moçambique, o órgão colegial dos bispos da igreja católica no país, através de uma nota de orientação divulgada, esta sexta-feira, proíbe aos partidos políticos e aos cidadãos no geral de portar camisetas ou outro material de propaganda política durante o período de visita de sua santidade Papa Francisco ao país.

Texto: Reginaldo Tchambule

“Não levar roupas e materiais de campanha política, nem aproveitar a missa para este propósito”, lê-se na nota da Comissão de Coordenação da Preparação da Visita Apostólica do Papa Francisco a Moçambique, que também apela aos moçambicanos para não levar bebidas alcoólicas, nem entrar bêbados.

Refira-se que desde que foram confirmadas as datas da visita do Papa em Moçambique, vários segmentos da sociedade tem questionado o facto da visita papal calhar com o tempo de campanha eleitoral.

Os mais cépticos chegaram mesmo a cogitar a possibilidade deste evento ser usado politicamente pelo partido no poder para ganhar vantagem em relação aos outros candidatos. De resto, é a primeira vez na história do Vaticano que um Papa visita um país em período eleitoral.

Papa apela à paz e reconciliação antes de pisar o solo pátrio

Através de uma mensagem de vídeo, publicada pelo Vaticano, o Papa Francisco, pediu, semana finda, orações pela reconciliação em toda África, com particular destaque para o povo moçambicano, ao qual endereçou um caloroso abraço, escreve o portal online Acidigital, um grupo de media fundado por um padre católico.

“Dentro de poucos dias, terá início a minha visita ao vosso país, e apesar de não poder deslocar-me para além da capital, o meu coração alcança e abraça a todos vós, com um lugar especial para os que vivem atribulados”, disse o Papa, na tradicional mensagem que dirige antes de cada visita apostólica internacional.

Nesse sentido, o Santo Padre convidou todos a se unirem à sua oração, “a fim de que Deus e Pai de todos consolide a reconciliação fraterna em Moçambique e em toda África, única esperança para uma paz firme e duradoura”.

“Terei a alegria de partilhar directamente convosco estas convicções e também de verificar como cresce a sementeira feita pelo meu antecessor São João Paulo II”, acrescentou Francisco, lembrando a visita do Papa polonês, em 1988.

Além disso, o Pontífice lembrou que esta viagem permitirá que encontre a comunidade católica local, para confortá-la em seu testemunho do Evangelho, “que ensina a dignidade de cada homem e mulher e exige que abramos os nossos corações aos outros, especialmente aos pobres e necessitados”.

Ao finalizar, o Santo Padre agradeceu aos que estão a trabalhar para tornar essa visita apostólica possível e confiou-os especialmente a protecção de Nossa Senhora. “Sei que muitos estão a trabalhar na preparação da minha visita, inclusive com a oferta das suas orações, e de coração agradeço-lhes. Sobre vós e sobre o vosso país invoco as bênçãos de Deus e a protecção da nossa Mãe, a Virgem Maria. Até breve!”, concluiu.

De referir que o Sumo Pontífice visitará Moçambique a partir do próximo dia 4 de Setembro e depois visitará Madagascar e Maurícias, uma viagem que irá até o dia 10 de Setembro.

O papamóvel que o Papa Francisco usou em 2015, no Quénia, durante sua primeira viagem a África, foi enviado a Moçambique, onde o Pontífice chegará em 4 de Setembro.

“O papamóvel saiu de Nairóbi para o Porto de Mombaça, em 8 de Agosto, e de Mombaça para Maputo, em 17 de Agosto”, disse o administrador apostólico do Ordinariado Militar do Quénia, Pe. Benjamin Maswili.

Em declarações à ACI África, agência do Grupo ACI, Pe. Maswili disse que o veículo deve chegar a Maputo, capital de Moçambique, no domingo, 25 de Agosto.

“Houve um atraso e sua chegada a Maputo foi reprogramada para 27 de Agosto”, explicou o sacerdote. Disse que a decisão de transferir o papamóvel de Nairóbi para Maputo envolveu os principais líderes do Quénia e Moçambique.

“Pediram-me para levá-lo (o papamóvel) à Casa do Estado, para que o presidente (Uhuru Kenyatta) o verificasse”, porque queria que o veículo estivesse em perfeitas condições.

Nesse sentido, o veículo foi repintado e as capas dos assentos foram substituídas, antes de sair do Porto de Mombaça.

Sobre as características do papamóvel, o Núncio explicou que deve ser “relativamente alto, para que todos possam ver o Santo Padre ao passear pelas ruas da cidade”; além de “estável, resistente e veloz, em caso de emergência”.

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