“Junta Militar da Renamo” em conferência nacional na Gorongosa

 

A autoproclamada “Junta Militar” da Renamo realiza no próximo sábado, na Gorongosa, província de Sofala, a sua conferência nacional para eleger o seu presidente, reiterando que o actual líder do partido, Ossufo Momade, não tem qualquer legitimidade para falar em nome da Renamo, a maior formação política no país.


O tenente-general Mariano Nhongo, num exclusivo à VOA, disse que os delegados à conferência, maioritariamente comandantes provinciais da ala militar da Renamo, começaram a chegar à Gorongosa na segunda-feira.

Ele afirmou ainda terem sido convidados à conferência representantes de partidos políticos, sociedade civil, igrejas e da comunidade internacional, “interessados em apoiar o nosso projecto de reorganizar a Renamo”.

Nhongo descreveu como “muito grave a situação que se vive no seio da Renamo”, resultante, fundamentalmente, do facto de, “praticamente, todos os oficiais militares do tempo da liderança de Afonso Dhlakama (falecido) terem sido excluídos do processo de desmobilização” acordado entre o governo e a Renamo, no âmbito do diálogo de paz.

“Praticamente, todos os oficiais do tempo do presidente Dhlakama encontram-se detidos, é por isso que vamos realizar a nossa conferência para escolhermos o novo presidente, porque com Ossufo Momade temos muitos problemas”, realçou Mariano Nhongo.

Na semana passada, a Renamo, tal como reportou o jornal “O País”, disse que havia iniciado conversações com o grupo de Nhongo para ultrapassar as diferenças e que nos próximos dias haveria uma solução definitiva sobre o assunto.

Falando durante o programa bancadas parlamentares da STV Notícias, na passada sexta-feira, o deputado da Renamo, Muhamad Yassin, disse “não ter dúvidas de que os esforços que estão a ser feitos pelo partido mostram, claramente, que há uma solução à vista”.

O grupo de guerrilheiros da Renamo reclama uma suposta exclusão do processo de desarmamento, desmobilização e reintegração iniciado a 29 de Julho passado, a favor “dos amigos e familiares de Ossufo Momade”, segundo considera a “Junta Militar”.

No dia 24 de Julho, o grupo prometeu dentro dos subsequentes 10 dias anunciar o novo líder da Renamo, que sairia do Estado-Maior General desta formação política.

“Nós começámos a revolução saindo do Estado-Maior General. As eleições serão no Estado-Maior General. Se ele [Ossufo Momade] recusar sair, vamos atacar, vamos abater”, disse o tenente-coronel João Machava. Jornal Noticias

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