Líder do Movimento Democrático de Moçambique admite coligação com Renamo

 

Texto: Lusa

“Não vou voltar para a Renamo. Eu estou bem. Mas é verdade que os dois partidos têm uma ideologia de centro-direita. E se o futuro declarar que pode haver uma convergência, por destino, a convergência não se pode evitar”, afirmou Daviz Simango, em declarações à Lusa, em Lisboa.

Questionado sobre até que ponto poderia ir a convergência do MDM, o terceiro maior no país, com a Renamo, o principal partido da oposição moçambicana, ao qual já pertenceu, o autarca respondeu: “A convergência significa, se os dois partidos se entenderem numa frente política, fazerem uma coligação”.

“Eu penso que o tempo dirá muitas histórias no futuro, se vale a pena haver uma coligação ou não. E as coligações podem ser pré-eleitorais ou pós-eleitorais. Tudo pode acontecer. Portanto, nós não podemos fechar a porta para o futuro”, sublinhou.

Daviz Simango rejeitou, contudo, a possibilidade de voltar à Renamo.

“Voltar para fazer o quê? Eu embarquei num novo casamento, estou feliz no casamento e vou continuar nele. Há certos divórcios que não se recomenda voltar para trás. E este é o caso”, salientou.

Daviz Simango considerou que o seu partido, com 10 anos, “teve o mérito de quebrar a bipolarização”.

“A democracia em Moçambique é muito baseada na democracia armada e nós não somos um partido armado”, realçou.

Para o líder do MDM, o partido continua vivo no meio de uma democracia armada e isso “significa que é um partido extremamente forte”.

Porém, nas últimas eleições gerais no país, em 2019, o partido só conseguiu seis lugares no parlamento contra os 17 que tinha até ali.

“Essas últimas eleições foram desastrosas em termos de transparência, de legitimidade. Isso prejudicou bastante o nosso partido. Tivemos vários membros e delegados de candidatura que foram simplesmente presos e prejudicados. Portanto, essas não são as eleições que os moçambicanos pensavam”, afirmou, quando confrontado com os resultados.

Para Daviz Simango, “ter seis deputados não é o fim do mundo”.

“Nós temos uma qualidade extremamente boa e vamos vibrar na Assembleia da República e mostrar que somos capazes”, garantiu.

Nas últimas eleições gerais em Moçambique, em 15 de outubro de 2019, Filipe Nyusi foi reeleito à primeira volta, para um segundo mandato como Presidente da República, com 73% dos votos, e o partido que lidera, a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), alcançou maioria absoluta nas três eleições em todos os círculos eleitorais – 11 no país, mais dois no estrangeiro (África e Resto do Mundo).

Ossufo Momade, líder do maior partido da oposição, a Renamo, ficou em segundo lugar, com 1.351.284 de votos (21,88%), contra 270.615 (4, 38%) dos votos obtidos por Daviz Simango, líder do Movimento Democrático de Moçambique, que ficou em terceiro.

No parlamento, a Frelimo, partido no poder desde a independência (1975), reforçou a maioria e passou a ter mais de dois terços dos lugares, cabendo-lhe 184 dos 250 deputados, ou seja, 73,6% dos lugares, restando 60 (24%) para a Renamo e seis assentos (2,4%) para o MDM.

A Frelimo conseguiu mais 40 deputados que há cinco anos, a Renamo perdeu 29 e o MDM perdeu 11.

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