Madagáscar: Ex-moleza dos Mambas que está a surpreender África

 

A estreante Selecção do Madagáscar no Campeonato Africano das Nações (CAN), que até “ontem” era um dos poucos “molezas” dos Mambas ao nível do continente africano, está a ter uma belíssima prestação na prova e é já tida como a equipa sensação. Não é para menos, os malgaxes qualificaram-se de forma surpreendente para os oitavos de final da fina flor do futebol africano, após bater o Quénia a uma bola sem resposta, empatar a dois golos com o Guiné e cilindrar a monstruosa Nigéria por dois golos sem resposta. 

Por: Neuton Langa e Reginaldo Tchambule

Está a ser uma campanha de sonho para a Selecção do Madagáscar, outrora tida como uma equipa fraca no continente e que era, até um passado recente, a pêra doce da Selecção Nacional de Moçambique, os Mambas. No entanto, de um tempo a esta parte, aquela selecção tem vindo a surpreender, o que deixa transparecer que há algum investimento que está a ser feito por aquele país africano.

Com efeito, depois de ter garantido a sua primeira qualificação ao CAN, num grupo em que estava a toda-poderosa Selecção do Senegal, garantiu a passagem da fase de grupos, depois de bater de forma expressiva a Nigéria, por 2 a 0.

Para celebrar este feito, o presidente de Madagáscar, Andry Rajoelina, fretou um avião para os adeptos a apoiarem selecção no CAN, que no decorre no Egipto desde o passado dia 21 de Junho.

O Airbus 380, com 480 lugares, serviu para transportar quem desejasse assistir o jogo no Egipto, no passado Domingo, contra a poderosa República Democrática do Congo. Mas a viagem não foi gratuita, como poderíamos imaginar. Foi preciso desembolsar cerca de 2.200.000 ariarys (cerca de 37 mil meticais) para a passagem de ida e volta, que incluía comida, água, bilhete de entrada para o jogo e transporte do aeroporto ao estádio.

Inicialmente, os “Zebus”contavam com cerca de 150 adeptos que carregaram a selecção durante pouco mais de 10 dias, entoando cânticos e levantando dísticos da pátria.

No passado Domingo, carimbaram a passagem inédita para os quartos de final, após baterem a República Democrática do Congo (RDC), na conversão de grandes penalidades, depois de um empate a dois golos. Diga-se de passagem, são duas equipas de campeonatos diferentes. A RDC está na 49ª posição do Ranking da FIFA e o Madagáscar 148 posição, uma distância centenária, que parece não assustar os “Zebus”, que têm demonstrado um esforço inequívoco de querer vencer os colossos africanos.

Cilindrar a Nigéria por 2-0 num CAN provocou uma verdadeira euforia do povo Malgaxe, onde as camisas da selecção chegaram a ser comercializadas por cerca de 800 meticais. 

A evolução surpreendente da Ilha de Madagáscar

Se, antes, um jogo dos Mambas com o Madagascar era sinónimo de alguma pontuação, nos últimos anos, já não é assim. Os malgaxes venceram dois dos últimos três encontros com os Mambas, nos últimos três anos.

A última vez que os dois conjuntos defrontaram-se foi em 28 de Maio de 2018, numa partida pontuável para a Taça Cosafa, onde os “Zebus” venceram os Mambas por dois golos a um. Um ano antes, no mês de Julho, os dois conjuntos tiveram uma dupla jornada, inserida na qualificação para o CAN. Na segunda mão, os Mambas receberam os malgaxes e perderam por dois a zero, depois de terem empatado a duas bolas na partida da primeira mão.

É um percurso que se justifica, segundo especialistas, pelo nível de investimento que o país tem vindo a fazer na formação, mas acima de tudo dos dirigentes desportivos. Estes resultados mostram claramente que, com alguma seriedade, Moçambique pode posicionar-se entre os grandes de África e do Mundo, apostando na formação.

Na sua campanha de qualificação para o CAN, Madagáscar enfrentou Senegal, Guiné Equatorial e Sudão. Os dois primeiros passaram de fase e faltando dois jogos os “Zebus” se classificaram, contrariando todas as previsões que o colocavam na terceira vaga do grupo. Na estreia, Madagáscar venceu Sudão, fora de casa por 3-1.

No jogo seguinte, a selecção empatou com o Senegal por 2-2 em casa, um resultado incrível, diga-se de passagem, por analisar que actualmente o futebol Senegalês é considerado o melhor do continente. No terceiro embate, os “Zebus” arrancam um triunfo por 1 a 0 diante da sua congénere Guiné-Equatorial.

Aliás, o Madagáscar não tem um campeonato nacional há alguns anos e mesmo assim conseguiu desmistificar que é possível, sim, levantar grandes voos rumo ao sucesso. Com isto, pretendemos chamar atenção aos dirigentes desportivos, para que estes busquem experiências de países como Madagáscar, Namíbia, entre outros, de modo a capitalizar os novos talentos e revolucionar o futebol nacional. 

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