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 “Massunguiro”- Uma prática cultural em prejuízo da rapariga.

 

 Perda de virgindade gera dinheiro e professores são as maiores vítimas.

Massunguiro constitui uma das práticas culturais implementadas com maior incidência nas zonas rurais das províncias de Sofala e Manica. A prática consiste em proceder cobranças de vulto a todo aquele que, por Incidente, se envolve  com uma rapariga e, por conta deste envolvimento, haja no meio alguma relação sexual com a mesma. Massunguiro faz parte das práticas que mantêm as comunidades atentas para tirar algum proveito nos casos em que raparigas da zona são assediadas e alvo de alguma cobiça de natureza sexual. Funcionários públicos nos distrito adentro, com enfoque para professores, constituem a maior clientela destas famílias (pais) de raparigas que se envolvem, com aparente “consentimento” com estes técnicos.

Seguindo histórias destas áreas, a rapariga,  antes de se envolver sexualmente com este ou aquele professor, precisa de pedir e ter autorização dos seus pais. Só depois disso ela pode dar início a actividade sexual. Os pais ficam atentos aos movimentos da rapariga e tudo fazem para arrancar a verdade de qualquer relação desconfiada. Aos pais não interessa a idade, nem consentimento da mesma, o que vale dizer…”entrou, foi descoberto, então paga”.

Para que a  rapariga confesse, é submetida a maus-tratos, o que inclui  a violência física e psicológica. Algumas raparigas nestas áreas restringem o acesso a alimentação das raparigas e as põem em isolamento até que confessem que sim, se envolveram com este ou aquele professor ou outro técnico servidor local. Para a família, esta informação é deveras importante porque, através da mesma, já se pode caçar o infractor e proceder com o ajuste de contas.

Madodas locais  colocam o infractor em julgamento até que este confesse que sim, se envolveu com a rapariga. São vários os truques usados pelos madodas para que se arranque esta verdade. Ameaças e intimidações tais como “vamos apresentar a queixa às autoridades” e “conhecemos o seu local de trabalho e vamos denunciar-lhe ao seus superiores hierárquicos” colocam o infractor em pânico, acabando por aceitar qualquer tipo de multa que lhe seja imposta. As multas por massunguiro podem  fixar-se  até 20.000,00 meticais.

Depois de pagar, cabe ao infractor decidir se quer ter a rapariga como sua esposa, o que, em muitos dos casos, não tem acontecido. A rapariga é aqui vista como fonte de rendimento da família e seu futuro com o namorado pouco importa. Ser ou passar de um processo para a preservação da pureza desta rapariga, se ainda fosse um ritual de consenso com normas e princípios que desde cedo educam a mesma para que saiba se proteger e guardar sua virgindade deste tenra idade, seria, sem dúvida, algo de apreciar e valorizar, como uma prática de educação sexual a estes jovens. Porém, sucede que, durante a fase de crescimento desta rapariga, este espaço de diálogo quase não existe e, no primeiro acto, está encontrada a forma de resolver, ou minimizar os  problemas financeiros que a família tem.

Massunguiro é uma prática que atenta contra a liberdade sexual da rapariga. Estas, em muitos dos casos, entram em consenso com seus pares. Trata-se, às vezes, de relações amorosas efectivas e sem sinais de coação ou violação. As partes se sentam e há um acordo para este tipo de relação. São aqui observadas questões de vontade própria, idade e outros valores que determinam a liberdade destas raparigas. Porém, a aceitação de uma relação sexual pode constituir um grave problema para quem a comete.

É preciso que autoridades locais intervenham, como forma de parar com práticas de género. A rapariga não pode ser vista como fonte de rendimento porque lhe foi subtraída sua virgindade.

Os valores cobrados ao namorado nunca chegam a ser de benefício da rapariga e uma vez este cobrados desencorajam ao jovem a prossiguir com o que podia ser um verdadeiro plano  de construção de uma relação sólida com a rapariga. Satisfeito o massunguiro, outras práticas de responsabilização também se seguem, como é o caso do lobolo. Se no lobolo as partes podem negociar o valor e modalidades de pagamento,  no massunguiro a imposição é perfeita.

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Celebramos o Outubro  de rosa… engajamos-nos  na luta contra o cancro da mama. A todas as mulheres e homens vítimas deste malefício, queremos expressar nosso apoio, força e coragem. Vamos fazer o teste/rasteio do cancro da mama.

A COVID-19 constitui a maior ameaça de todos os tempos. Vamos todos contribuir para a redução de novas infecções, seguindo com as directrizes do MISAU.

O nosso maior segredo é a vida.

 

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