MDN nega estar a fazer recrutamento compulsivo, mas assume que pode estar a ocorrer

– “Esse acto não é do Ministério da Defesa Nacional, (…) não sabemos quem está a fazer” – Porta-voz do Ministerio da Defesa

 

Circulam desde o princípio desta semana mensagens, audios e vídeos dando conta de um suposto recrutamento militar compulsivo nalguns bairros da cidade e província de Maputo, uma situação que tem vindo a criar alguma agitação. Entretanto, confrontado pelo Dossiers & Factos, o Ministério da Defesa Nacional (MDN) refutou essa informação, mas não descartou a possibilidade desse acto estar a ocorrer.

Num breve contacto com o Dossiers & Factos, Chefe do Departamento de Comunicação e Imagem do Ministério da Defesa Nacional, Custódio Massingue disse que o ministério não sabe quem está a fazer o referido recrutamento complicivo de jovens no país.

“Nós estamos a preparar um comunicado de imprensa para o Ministério da Defesa Nacional esclarecer. Esse acto não é do Ministério da Defesa Nacional, quem está a fazer não sabemos quem é. O Ministério e as Forças Armadas não precisam fazer isso, até porque está a decorrer agora o processo normal de recenseamento para depois fazer-se a selecção e incorporação, de acordo com a lei”, disse Custódio Massingue, Chefe do Departamento de Comunicação e Imagem do Ministério da Defesa Nacional.

“Este recrutamento compulsivo se está a ocorrer ou não não sei dizer mas o Ministério da Defesa Nacional não está a fazer”, disse Massingue ao Dossiers & Factos, alegando que o Ministério da Defesa Nacional vai se pronunciar oficialmente ainda hoje, através de um comunicado de imprensa.

AUDIO

Boato gera agitação no bairro de Zimpeto

Está a registar-se uma agitação muito grande, neste momento na zona próxima ao mercado e parque do Zimpeto, na sequência de um suposto “boato” posto a circular, dando conta da presença, naquele local, de uma brigada militar que estaria a recrutar jovens compulsivamente.

Vários vídeos inundaram as redes sociais, mostrando jovens a correr em debandada e alguns a pular de autocarros em marcha, supostamente fugindo dos militares.

Curiosamente, em nenhum dos vídeos que estão a circular aparece um militar ou uma viatura com características das que são usadas pelas Forças de Defesa e Segurança.

Verdade ou não, facto é que esta informação, já está a criar uma grande agitação na cidade de Maputo e tem potencial para gerar uma convulção. Aliás, num dos vídeos que temos vindo a fezar referência, vê-se jovens a usando pedras para tentar interromper a circulação de veículo na Estrada Nacional Número Um, próximo a antiga Mabor.

Como tudo começou?

Tudo começou com uma mensagem de desconhecido, que denunciava uma suposta acção de recrutamento de jovens na calada da noite, nos bairros das cidades de Maputo e Matola, supostamente para endoçarem as fileiras das Forças de Defesa e Segurança na frente de combate de Cabo Delgado. Segundo a referida mensagem, a meta é recrutar 20 mil jovens para irem a guerra.

“Todos os jovens do meu WhatsApp! Há um recrutamento obrigatório e silencioso que está a acontecer aqui em Maputo, os militares fazem patrulhas de noite, e os jovens que forem encontrados na rua á altas horas são recrutamos a força, quem resistir será espancado, eles querem 20 mil jovens para irem a guerra que há na zona norte do país, então irmãos e amigos, peço que evitem andar á altas horas, porque correm o risco de serem recrutados e o pior é que os vossos familiares não terão conhecimento do vosso sumiço, até agora já foram recrutados jovens do bairro de T3, Indlhavela, Patrice Lumumba e outros bairros que não tenho conhecimento. Espalhem a notícia!”, sublinha.

Partilhada em vários grupos, a mensagem teve uma grande repercursão e não tardaram surgir reações de pessoas que confirmaram o desaparecimento de jovens nos seus bairros, mas nunca apresentaram provas e até agora não há relato de nenhum pai que tenha aprresentado alguma queixa à polícia por desaparecimento do seu filho.

Curiosamente, a circulação deste suposto boato, acontece numa altura em que as Forças de Defesa e Segurança (FDS) tem vindo a sofrer pesadas baixas no teatro de operações na província de Cabo Delgado, onde combatem insurgentes há mais de dois anos.

Mais  Destaques

Scroll to top
Skip to content