Moçambique sem políticas de proteção da criança em tempos de pandemia

 

Para dez milhões de crianças de Moçambique que já vivem nalgum tipo de pobreza, a COVID-19 significa uma pobreza mais extrema e prolongada, e a negação dos seus direitos fundamentais, segundo o UNICEF. 

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) explicou, na avaliação dos impactos da Covid-19 na vida das crianças, que quanto mais tempo as escolas estiverem fechadas, maior será a perda de tempo de aprendizagem e maiores serão as hipóteses de as crianças, especialmente as raparigas, não regressarem à sala de aula após a reabertura escolar.

Uma redução acrescida no acesso aos serviços de saúde essenciais devido a uma perturbação significativa do sistema de saúde pode agravar a vulnerabilidade já existente em crianças que necessitam de vacinação, sofrem de doenças crónicas, vivem com uma deficiência ou são afectadas por doenças infecciosas comuns, como a malária.

“A interrupção das operações de abastecimento de água durante o período de emergência pode comprometer os esforços de resposta à Covid-19, bem como a outras doenças, como a cólera e a desnutrição”, explica a UNICEF.

Acrescenta que, “a crise da Covid-19 é uma crise dos direitos das crianças. Os efeitos da pandemia nas crianças moçambicanas são propensos ao auto-reforço e cumulativos, conduzindo a desafios permanentes no domínio da saúde, da educação e do rendimento seguro. À medida que a situação económica global se agrava, torna-se cada vez mais difícil para a economia moçambicana recuperar, o que poderá afectar gerações de crianças através de ciclos de pobreza”.

UNICEF recomenda que, apesar de Moçambique enfrentar desafios adicionais, únicos, as políticas devem centrar-se na criança, de modo a garantir que a próxima geração seja capaz de liderar o país na realização da visão nacional de desenvolvimento a longo prazo e no compromisso internacional de proteger os direitos das crianças. 

“Mais do que nunca, a segurança e o bem-estar de 14,3 milhões de crianças moçambicanas e o futuro de Moçambique dependem de uma acção política eficaz e certeira”, concluiu.

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