Mortes por acidentes na EN4 resultam de uma “guerra” entre TRAC e ANE

 

Depois de muitos meses de impasse, com um saldo de dezenas de mortes e danos materiais avultados, causados por recorrentes acidentes de viação, a concessionária da Estrada Nacional número quatro (EN4), Trans African Consession (TRAC) e a Administração Nacional de Estradas (ANE) parecem ter chegado, finalmente, a um consenso sobre o modelo de separador central a ser colocado naquela via que transformou-se num verdadeiro corredor de morte.

Texto: MS / Redacção

A garantia foi dada ao Dossiers & Factos, recentemente, pelo porta-voz da TRAC, Fenias Mazive, o qual assegura que a instalação do separador central na (EN4) poderá iniciar em Janeiro do próximo ano, com vista a reduzir os acidentes que tem se registado naquela rodovia. Só nos últimos dois meses foram registados pelo menos cinco acidentes aparatosos que resultaram em vários óbitos.

Recorde-se que, em Julho último, logo depois que foi anunciado o fim das obras de ampliação do daquela estrada, o Dossiers & Factos denunciou que a mesma não tinha um separador central o que elevava o risco de acidentes de viação, não obstante o facto da via ter sido alargada das anteriores quatro faixas para seis, no troço entre a Praça 16 de Junho, na cidade de Maputo, e Ceres, na Matola.

Na verdade, tal como reportamos, a não colocação do separador central deve-se uma “guerra” entre a concessionária e a Administração Nacional de Estradas (ANE) devido a divergência quanto ao modelo e material que seria usado na construção do separador central.

A proposta inicial de separador central colocada pela TRAC à ANE, há mais de um ano, não foi consensual. Enquanto a TRAC pretendia colocar um separador metálico, a instituição responsável pela regulação das estradas no país, que irá herdar as obras dentro de pouco menos de nove anos, insiste num separador de betão, mas essa solução não é vista de bom grado pela concessionária, pois é muito mais cara que a primeira.

Ao Dossiers & Factos, Mazive reconhece que a colocação de separador central na EN4 não se efectivou e muitas vidas são perdidas diariamente naquele troço, simplesmente porque as duas instituições não se entendiam. Entretanto, garante que já se chegou a um acordo, mas não revela detalhes, nem o modelo a ser usado.

“Nós tínhamos as nossas ideias e a ANE também tinha as suas em relação ao separador central. Eventualmente chegamos a um ponto comum e submetemos a proposta que a ANE pediu e felizmente já a aprovou”, assegurou Mazive, para quem os acidentes não só acontecem na EN4, como em outras estradas um pouco por todo o país.

Não foi ainda possível falar com o Director-geral da Administração Nacional de Estradas, César Macuacua. Desde Julho que tentamos contacto com este, mas sempre alega estar reunido ou simplesmente ignora as nossas ligações.

Recorde-se que um acidente do tipo choque ocorreu, na tarde desta terça-feira, na mesma estrada, fazendo, pelo menos, dois mortos e três feridos da mesma familia. É o segundo em menos de uma semana.

Leia a reportagem completa na edição imprensa e Digital do Dossiers & Factos.

Mais  Destaques

Scroll to top
Skip to content