Museu Nacional de Arte incentiva o nacionalismo artístico

No âmbito das celebrações dos cem anos das artes plásticas no país, o Museu Nacional de Arte realizou uma série de colóquios de artes. O ponto mais alto foi uma reflexão havida no passado dia 22 de Novembro, sob o lema “Redescobrir a Nação Através das Artes”, tendo como objectivo incentivar o nacionalismo artístico. A ideia deste evento foi inspirada na obra de Eduardo Mondlane. Na ocasião, foi inaugurada uma exposição simbólica contextualizando a primeira exposição feita no país.

Texto: Redacção

As celebrações dos cem anos das artes plásticas serviram como um momento de reflexão, onde foram passados em revista os desafios, as conquistas e as perspectivas das artes plásticas no país.

“Exposição de Belas Artes” foi o título da primeira exposição feita no país, tida como marco inicial das artes plásticas em Moçambique, e é com base nesses registos que se celebra um século das artes plásticas.

“Tivemos acesso a um artigo do pesquisador António Soupaque, onde fazia um pequeno historial das artes em Moçambique, em particular das artes plásticas, e fazia menção a uma exposição de carácter formal que ocorreu de 04 a 13 de Outubro de 1918, na então Lourenço Marques, actual cidade de Maputo”, referenciou Marcos Evaristo, director do Museu Nacional de Arte.

O título do colóquio do passado dia 22 de Novembro inspira-se na obra do presidente Eduardo Mondlane, intitulada ‘Redescobrir a Nação’, na qual ele faz um despertar para o nacionalismo, o que, segundo os organizadores, encaixa-se no objectivo central destas reflexões, que têm em vista fazer despontar o nacionalismo nas artes.

Refira-se que a “Exposição de Belas Artes” contou com 500 obras de 50 coleccionadores seleccionadas nessa altura. Foram mentores da mesma Augusto Cardoso, José Almeida, entre outros, segundo a edição do dia 10 de Outubro do jornal The Guardian, que, na altura, era publicado na província ultramarina de Moçambique.

Embora se reconheça o valor artístico, ninguém será honorificado

Entretanto, na senda destas comemorações, foi lançado, recentemente, um catálogo intitulado “O Estado das Almas em Moçambique”, onde se mostra o trabalho árduo e intenso feito pelos artistas assim como pelo Governo nesses cem anos, de modo a desenvolver a área das artes.

“Houve criação de instituições diversas de arte, que têm formado profissionais e especialistas na área, também houve criação de políticas de modo a reger da melhor forma o sector artístico, e ao longo dos cem anos surgiram vários artistas e todos já têm o seu espaço”, defendeu.

Embora nestes cem anos os artistas tenham trabalhado arduamente, de forma a imortalizar e desenvolver a área, nenhum artista foi honorificado, devido à falta de condições para tal.

“Neste momento, as medidas de contenção retraem-nos, visto que é impossível fazer o trabalho sem dinheiro, mas sempre que possível procuramos exaltá-los. Reconhecemos que é digno fazer menção, pois eles também  escreveram essa história e é digno elevá-los, mas é verdade que as limitações impedem que possamos fazer o reconhecimento”, explicou.

Perante tal adversidade, o Dossiers & Factos contactou alguns artistas plásticos, que se mostraram indignados e apelaram a quem de direito a valorizar aqueles que fizeram o percurso da história dos 100 anos das artes.

Revelino Sengo é das vozes mais incómodas. Para ele, isto revela que as artes no país têm grandes desafios por atravessar, e isto é um indício de que as artes no seu todo ainda não são valorizadas, o que mostra uma falta de interesse por parte das autoridades.

Por seu turno, David Aguacheiro, artista plástico e cineasta, docente no ISArC – Instituto Superior de Artes e Cultura, no curso de Licenciatura em Cinema, defende que a falta de reconhecimento é desencorajadora, visto que durante esse percurso vários artistas desempenharam um papel importante para a construção dessa história.

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