“Não sabiam que o Governo de Moçambique é altamente corrupto”?

 

A defesa de Jean Boustani, o único arguido das dívidas ocultas que está a ser julgado em Nova York, questionou em tribunal a uma firma americana de investidores denominada Ice Canyon, como esta aceitou investir nas empresas ProIndicus e EMATUM, sabendo que “o Governo de Moçambique é altamente corrupto”, escreve, hoje, o Bolentim diário do Centro de Integridade Pública, que faz acomapanhamento integral do julgamento em Nova York.

“Antes de investir [na ProIndicus e EMATUM] fizeram due diligence, certo? E não sabiam que o Governo de Moçambique é altamente corrupto?”, questionou Randall Jackson, jovem advogado considerado um dos mais proeminentes dos Estados Unidos da América (EUA).

A Ice Canyon é uma firma de gestão de investimento global em mercados emergentes, com sede em Los Angeles, Califórnia. Investiu milhões de dólares no empréstimo da ProIndicus, em 2013, arranjado pela Credit Suisse e voltou a investir nos títulos de crédito da EMATUM.

Aneesh Partap, analista financeiro da Ice Canyon na altura em que esta investiu nas empresas moçambicanas, foi ouvido em tribunal na tarde de Segunda-feira e na Terça-feira. Disse ao júri que “se soubesse que a Privinvest iria subornar governantes moçambicanos e colaboradores da Credit Suisse não teríamos investido na EMATUM e na ProIndicus”.

As declarações de Aneesh Partap foram no sentido de confirmar que os investidores americanos foram burlados pelos arguidos Jean Boustani, Manuel Chang, Teófilo Nhangumele, António Carlos do Rosário e outros arguidos do caso nos EUA, que desviaram parte do dinheiro dos empréstimos. Chamado a fazer perguntas ao declarante, o advogado Randall Jackson questionou se, na qualidade de analista financeiro, Annesh Partap não realizou due diligence antes de conceder o empréstimo. E tendo feito, como aceitou financiar projectos de um governo altamente corrupto.

O advogado concluiu que ao investir em projectos greenfield de empresas de um governo altamente corrupto, a Ice Canyon sabia que era um investimento de alto risco mas depositou esperanças de recuperação de investimento nos projectos de LNG da bacia do Rovuma, que seriam a fonte de receita para a recuperação do valor investido.

VTB arrependido de conceder empréstimo à ProIndicus       

Na Terça-feira, começou a audição de Cicely Leemhuis, canadiana, directora adjunta do Departamento Jurídico da VTB Capital em Londres, uma subsidiária da VTB Russa. No seu depoimento inicial, Cicely também disse que a VTB, se soubesse que haveria corrupção na execução do projecto da ProIndicus, não teria participado no empréstimo sindicado da ProIndicus. A audição da executiva do VTB prossegue esta quarta-feira. CIP

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