NOME DOS MAMBAS: Povo dá um “murro no estômago” de Feizal Sidat e Gilberto Mendes

  • Consulta pública de mudança de nome dos Mambas “pariu rato
  • Dos 30 milhões de moçambicanos, apenas 0,0073 por cento (2190 votos) aderiu
Sidat e G. Mendes deram a cara pela mudança do nome dos Mambas

Ao fim de 45 dias os resultados da Consulta Pública para a mudança do nome da selecção nacional vieram com um toque de humilhação para o secretário de Estado do Desporto, Gilberto Mendes, e o presidente da Federação Moçambicana de Futebol (FMF), Feizal Sidat, que moveram céu e terra para fazer os moçambicanos comprarem a ideia da mudança do nome da Selecção Nacional de Futebol, os Mambas. É que, em abono da verdade, o povo moçambicano “mandou passear” os proponentes da consulta pública, que foi através de uma plataforma de votação por mensagem, em parceria com a televisão pública do país. Até cinco dias do término da propalada e mediatizada consulta pública, apenas haviam sido contabilizados 2,190 votos, um K.O num país com quase 30 milhões de habitantes, o que significa que apenas 0,0073 por cento participou.

Texto: Reginaldo Tchambule e Arão Nualane

Como se tal não bastasse, cinco dias antes do encerramento daquela que vai entrar para a história como a consulta pública menos aderida de todos os tempos, dos 2190 votos, que podem não ser de 2190 pessoas, pois a plataforma permitia votos múltiplos, a vitória do NÃO à mudança do nome dos Mambas era avassaladora, com 1420 votos, o equivalente a 64.8%, e apenas 770 votantes, correspondes a 35.2%, mostravam-se a favor.

Esse resultado foi um verdadeiro “murro no estômago”, se não mesmo um “golpe duro” para o secretário de Estado dos Desportos, Gilberto Mendes, e um grupo selecto da Federação Moçambicana de Futebol, liderado por Feizal Sidat, que defendia a mudança do nome Mambas.

Apesar de tanta publicidade, com direito a debates públicos e por vezes algumas propostas públicas, como quando Gilberto Mendes sugeriu o nome Rinoceronte ou Elefante, o povo simplesmente não comprou a ideia e, de forma vergonhosa, não aderiu à campanha.

Só para se ter a ideia da vergonha, se assumirmos que não houve votos múltiplos e que cada um dos 2190 votos representa uma pessoa, esse número não é nem sequer suficiente para encher as bancadas do pavilhão multiuso do Grupo Desportivo de Maputo, num país em que os jogos dos Mambas fazem borbulhar um estádio com capacidade para mais de 42 mil lugares.

Cada voto custava 10 meticais, apenas 10 por cento de um bilhete da bancada sol do Estádio Nacional do Zimpeto, mas mesmo assim, nem os milhares de ferrenhos adeptos da Selecção Nacional aderiram à referida campanha, se tomarmos em consideração que 2190 pessoas correspondem a apenas 5.2 por cento da lotação do ENZ. Este pode ser também um indicador do nível de impopularidade dos dois dirigentes que deram a cara pela mudança do nome.

Moçambicanos querem manter um nome satânico e comercialmente inviável

Nem os 42 mil adeptos dos Mambas que geralmente enchem o ENZ aderiram

Recorde-se que no mês de Maio do presente ano, no auge da campanha, Gilberto Mendes veio a público dizer que “Mambas” era um nome satânico, sugerindo o Rinoceronte ou Elefante como nomes que pudessem trazer sorte ao combinado nacional.

No entender de Mendes, o nome Mambas não traz benefícios, e em termos de marketing não se pode ganhar nada, pois a selecção torna-se embaixadora de cobras.

Quem também “embarcou” na ideia de Mendes foi o presidente da FMF, Feizal Sidat, ao sustentar que o nome de Mambas não é comercialmente viável para selecção de futebol, daí que a sua instituição levou a cabo uma consulta pública, juntamente com a Televisão de Moçambique (TVM).

Veio a consulta pública e os moçambicanos não só disseram não com os números, como também pelo seu simples gesto de não aderir. Resultado: num país com mais de 30 milhões de habitantes somente 2190 votaram, se assumirmos que não houve votos múltiplos. Isso corresponde a 0,0073 por cento, um nível histórico de abstenção.

“Fica na história que houve uma consulta pública” – Feizal Sidat

Sidat ignora ciencia dos numeros

O Jornal Dossiers & Factos entrou em contacto telefónico com o presidente da FMF, Feizal Sidat, para fazer uma análise daquilo que foi o processo. Ignorando a ciência dos números que mostram que os moçambicanos o mandaram passear, Sidat diz que apesar do “não” que prevaleceu, vai ficar na história que houve uma consulta pública.

No entender de Feizal Sidat, a nova geração que não participou na atribuição do nome Mambas na década 90 teve, agora, a oportunidade. “É preciso união de todos e continuarmos com a designação que foi escolhida pelos moçambicanos”.

Ainda de acordo com Sidat, se foi o povo que escolheu a continuação do nome, é sinal de que “estamos todos fortalecidos e devemos continuar a trabalhar”.

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